quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Hayabusa o Ronin - Capítulo III

Autor: Joao Ricardo Marques
Tamura, 10 anos atrás:
Nos muros do Palácio Imperial.
A multidão tentava entrar, todos ao mesmo tempo, pelo portão do Palácio Imperial. O pânico havia tomado conta da população que buscava a salvação prometida. Traziam trouxas de roupas, animais de criação e mascotes. Crianças choravam e gritavam por seus pais. Velhos e mulheres cobriam os olhos e se protegiam como podiam. Todos desesperados e cobertos de sangue.
Anjih percebeu que muitos estavam feridos. Outros carregavam mortos, sem perceber que o que levavam era apenas uma trouxa de carne morta. Braços pendurados, mãos amputadas e pernas substituídas momentaneamente por muletas improvisadas... Sem ao menos se dar conta disso. Os soldados os faziam atravessar os muros pelo portão. O faziam mal e mal por estarem ocupados em combate. Lutando contra aquelas criaturas do pesadelo. Ritmadas pelos trovões que soavam sobre suas cabeças, hordas de demônios insetóides colidiam e se lançavam novamente contar a pobre barragem que os samurais da Guarda Imperial faziam. À medida que se afastavam e se preparavam para colidir novamente, suas garras e presas eram mais e mais lavadas de sangue e restos de corpos. Samurais caíam como moscas. Espadas ancestrais se quebravam sobre carapaças. Nada poderia impedir que aquela parte do grupamento fosse derrotada e que os demônios invadissem o palácio. Se conseguissem, a população que havia entrado seria chacinada e haveria uma passagem para chegarem ao Imperador. Todas as esperanças estariam perdidas. Nem Anjih e nem Ti-Neh teriam como se salvar... Ou se iriam ver o pai novamente.  Nesse momento um alarido rompeu o ar. Anjih se virou e viu, ao final da rua, um batalhão samurai, fazendo escudo de proteção em torno de quase uma centena de cidadãos. Eram os últimos soldados protegendo os últimos cidadãos a serem salvos.
E, a frente do batalhão, com sua já característica barriga proeminente, O Capitão Toranaga.
-- Guarda Imperial! Vamos abrir espaço para que estas pessoas possam correr para o Palácio. Formação em cunha. Arqueiros!
-- Sim senhor? -- Um dos arqueiros, um homem magro e quase do mesmo tamanho baixo do Capitão Toranaga, porém com um olhar de coragem que emanava do seu único olho (o direito estava tapado por uma bandagem ensangüentada) se apresentou a frente. Era Akimoto, sargento responsável pelos pouco mais de trinta arqueiros que restaram ao grupamento.
-- Utilizem flechas incendiárias. Acertem os grandes... E, Akimoto...
-- Pois não senhor?
-- Atirar a vontade... Quando acabarem as flechas, façam suas lâminas cantarem.
-- Certo senhor.
-- Akimoto?
-- Senhor?
-- Foi um prazer servir com você, Akimoto-sam. Espero encontrá-lo no reino de Lin-Wu.
-- Eu também, Toranaga-sama... Todos nós... -- o resto do que quer que Akimoto fosse dizer se perdeu em seu peito. Não era hora de
palavras. Era hora de espadas sanguinárias retalharem corpos e flechas incendiárias cortarem o ar.
Toranaga se virou na direção de seus últimos homens. Menos de 200 haviam restado. Eram samurais que, em sua maioria, haviam sido treinados por ele mesmo. Conhecia-os como a filhos... Sabia seus nomes e seus sonhos. A altivez que possuíam, mesmo frente à morte que se anunciava em letras indeléveis, era o que de melhor existia nos tamuranianos. As lendas colocavam a origem do povo de Jade junto aos elfos... Era hora de mostrar que era verdade.
Seus rostos não demonstravam medo. Não que não o sentissem... Apenas o conheciam bem. Como a um companheiro inseparável que pode lhe aconselhar, mas não dita suas ações. Seus olhos estavam fixos no inimigo que com o qual se bateriam. Se os Demônios queriam sangue, o teriam. Mas o sangue tamuraniano não cairia só. Toranaga olhou para a sua cidade. Estava em chamas. Mesmo os gritos que ouvira durante as últimas horas estavam se escasseando. Quase não tinham mais o que matar aqueles malditos. O céu estava escarlate e o sol quase se punha no horizonte. Parecia um crepúsculo de sangue, no qual o próprio sol morria.
Sangue e ácido cada vez mais forte corroia o que sobrara das armaduras, depois de horas de lutas. Saíra com dez grupamentos de 500
homens. O seu era o último a voltar... Com menos de duas centenas, na
sua maioria, feridos e todos exaustos.
-- Samurais da Guarda Imperial! Alguém quer viver para sempre? -- Toranaga sabia a resposta antes mesmo da pergunta.
-- Não senhor!- Duzentas vozes gritaram em uma só voz.
-- Atacar!
"Sim", pensou o Capitão Toranaga, o último capitão tamuriano, a frente de seus últimos homens, "este é um bom dia para morrer... tão bom quanto outro qualquer...".


Petrynia, a dois dias de Malpetryn, dias atuais.
Com seus instintos em estado de alerta, Hayabusa colocou Sol Poente em sua bainha e ambas as espadas na guarda da cintura. Com a mão direita buscou a aljava e o arco daikyu. Agora tinha certeza de que o estavam emboscando.
Ouvira passos de pessoas que tentavam, em vão, ocultá-los. Eram impedidos pelas folhas que caíram das árvores no bosque em que se achava.
Podiam ser três indivíduos, talvez quatro, sendo esse o numero mais provável, moviam-se em círculos e se comunicavam por meio de assovios e pios que imitavam pássaros.
Havia, no entanto, se traído por conta do canto do Cardeal. Não tinha certeza quanto à raça, mas percebeu que as táticas de caça
que utilizavam eram muito rebuscadas para serem goblinóides ou kobolds...
Sabia também que não poderia ficar parado. Tinha que lhes dar um alvo móvel. Rolou para o lado direito, sobre o ombro. Parou a dois metros, ouvira um arco disparar... Uma flecha cortou o ar e se cravou aos pés de Hayabusa. Era cedo ainda para apagar a chama da fogueira. Havia o risco de seus atacantes terem visão noturna. Não podia se precipitar. Tencionou a corda do arco com uma flecha. Só precisava de uma chance... Girou novamente, agora à esquerda. A primeira flecha viera da sua frente. Mas tinha certeza de que o atacante estava se movendo devagar para sair de uma trajetória de tiro. Com um movimento rápido, como a ginga de uma dança qualquer, rodopiou.
Uma nova flecha zuniu. Passou sobre a sua orelha direita. Hayabusa não sabia o que esperar. Tinha que agir logo. A terceira flecha poderia não passar apenas perto... No canto de sua visão, um pequeno brilho metálico, como um lampejo, chamou a sua atenção. A fogueira refletiu-se em algum metal que o atacante portava. Já tinha um alvo. O Daikyu foi tencionado ao máximo e Hayabusa disparou sua flecha, que cortou o ar em direção às árvores. Um gemido abafado rompeu o silêncio do atacante, vindo do local para onde a flecha se dirigira.
"Só faltam três", pensou Hayabusa.
Continuando os passos de sua "dança" com um movimento fluido, apanhou outra flecha. Em um piscar de olhos estava a postos no arco. Com
aquela flecha, um deles estaria ao menos com suas capacidades
inutilizadas por algum tempo.
Hora do segundo passo.
Se os atacantes possuíssem visão noturna, os tiros anteriores teriam atingido ele mesmo ou no seu daikyu, para inutilizá-lo, e não desperdiçados como foram. Sempre havia a possibilidade de um seqüestro, mas um viajante que andava como Hayabusa, dificilmente chamaria a atenção de seqüestradores... A menos que não fossem seqüestradores comuns...
 Outro fator que indicava humano era a quantidade de assovios que vieram depois do tiro que ele acertara. Isso demonstrou que os atacantes não conseguiam enxergar uns aos outros e queriam informações sobre o ferido.
Perguntavam um ao outro por meio de assovios!
Com um movimento rápido e inesperado, Hayabusa recitou uma pequena oração, e deslizou as mãos sobre os olhos. Como Paladino que era Lin-Wu lhe concedeu o dom que precisava. Podia agora ver perfeitamente os seus adversários. Eram realmente quatro e faziam um cerco ao seu redor. Um deles estava segurando o ombro, onde a flecha se alojara. Pelas caretas que fazia, estava doendo bastante. O samurai chutou, então, um pequeno monte de areia na fogueira para que ela diminuísse de intensidade. Antes ela servira de farol para que os bandidos soubessem onde ele estava. Estava na hora de equilibrar as coisas. Era arriscado o jogo que fizera. Poderia ser alvejado antes que pudesse vê-los. Mas seus olhos, quando utilizava seus dons de paladinos, se tornavam reptílicos e com um brilho esverdeado que poderia ser identificado e serviria de alerta.
Para usá-lo teria que derrubar pelo menos o adversário que estava a sua frente, para que ele não percebesse nada e alertasse os companheiros.
Se bem que, pelos cuidados que tomaram, seus "passarinhos" sabiam muito bem que ele era.
"Bem... hora do terceiro passo".
-- Muito bem, senhores? Disse isso em tom calmo, quase cínico -- hora de passarmos aos jogos de adultos. Dito isso, abandonou o arco e desembainhou Sol Poente e Pequeno Estrela. Precisava mesmo de um pouco de exercício. Os três homens restantes iniciaram movimentos de aproximação a fim de fechar o cerco. Tinham morte dos passos e assassinato nos olhos.

3 comentários:

  1. Pow, é realmente uma pena eu ter me distanciado tanto desse cenário maravilhoso que é o Tormenta! Mas agora eu tô de volta!!!

    Engolindo seus textos aqui!!!

    A galera aqui tá de parabéns...

    Continuem assim!!!!

    Abs a todos!!!

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  2. Como os Império Jade conhecia o povo elfo se, nessa época, eles estavam a um continente de distância? Não é impossível que alguns tamurarianos conhecessem os elfos, mas achei exagero comparar as lendas de ambos, como se estas fossem conhecidas - e, em Tormenta, conhecimento sobre o Império Jade e povo elfo é escasso.

    Por que quem armou a emboscada falou com o ronin antes de atacar, se esse é o meio mais óbvio de denunciar a localização?

    Por que os emboscadores atiraram tão pouco? Não deveriam ter tentado atacar mais, afinal, estavam em vantagem numérica?

    O protagonista refletiu muito durante a narrativa, dá a impressão de que passou minutos durante a cena e os emboscadores ficaram só olhando pra ele.

    O conto também precisa de uma revisão, alguns erros de português estam berrantes, os diálogos estão fracos e a narrativa nem empolga.

    Desculpe se estou sendo muito sincero, mas falo isso para o bem do autor, há muito o que melhorar.

    Leonel Caldela afirma que aprendeu a escrever fazendo oficinas para escritores, seria legal o autor procurar uma.

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  3. berbardo, vc não fala para o bem do autor, é puro veneno...

    se tivesse paciencia teria lido na sequencia os motivos da emboscada tão frajuta..

    de qualquer forma deixo ao autor registrado os meus PARABÉNS!!!

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