sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

Hayabusa O ronin, Capítulo V

Portões do palacio de Kyoto

Tamura, 10 anos atrás:
A frente do Portão do Palácio Imperial.
O comandante Yoshi, pessoalmente comandava as tropas de socorro ao Capitão Toranaga. Sentinelas haviam visto o massacre antes da chegada dos últimos sobreviventes e haviam requisitado auxílio. O próprio comandante da Guarda Imperial viera em auxílio dos seus homens. A frente de 400 samurais abria caminho entre os demônios. Seus arqueiros haviam percebido que o fogo funcionara um pouco melhor contra os monstros do pesadelo e disparavam em sequência, criando um perímetro de segurança tênue, mas bem vindo.
Um corredor se formara e os dois homens se encontraram. Eram irmãos de armas que se reencontravam em meio ao caos reinante no fim do mundo que conheciam.
-- Capitão Toranaga, qual a situação atual da evacuação?
-- Meu Comandante, nós não conseguimos encontrar mais ninguém vivo. E os demônios aumentam em quantidade e em tamanho... É um pesadelo, Yoshi-sam.
-- Eu sei Toranaga-san... -- o semblante do Comandante era pesado. A pergunta que ia fazer estava entalada em sua garganta há horas e a preocupação quase o sufocava -- E os meus filhos?
-- Um momento de silencio se fez entre os dois homens, cortado apenas pelo som das espadas que se chocavam e dos gritos de morte dos soldados e monstros.
-- Não os encontrei senhor... Nem vivos e nem mortos... E nem loucos como a maior parte dos que vi.
-- Então ainda há esperança, velho amigo... -- era com essa possibilidade que o último golpe contra as hordas foi dado. Incluindo os homens de Yoshi, adentraram aos muros do Palácio Imperial menos de 300 homens.
Quando as ordens de recuo foram dadas, aqueles que seriam os melhores soldados do Império de Jade entraram em formação perfeita.
Ultrapassaram o Portão do Amor Imperial, sendo os derradeiros heróis do Império. Quem havia não havia entrado até o momento estaria condenado. As ordens eram bloquear o portão permanentemente. Apenas a cidadela interna poderia ser defendida.
Era com essa certeza que Toranaga e Yoshi, fechando a formação e homens, observavam com atenção e angústia a parte exterior das muralhas. Tinha que haver mais pessoas!
Então os gritos angustiados de uma figura chamaram a sua atenção.
Era um jovem que carregava em seus ombros uma menina. Seu tórax estava coberto de queimaduras e hemoplastos, misturas de feridas abertas ou não e hematomas. A menina estava coberta com o que parecia ter sido uma túnica e, mesmo coberta assim, estava ferida. Em seus olhos havia uma venda.
-- Papai! Papai! Tio Toranaga! Aqui.
Eram Anjih e Ti-Neh. O rapaz carregava a irmã e corria o máximo que podia. Mas suas forças estavam no fim. Suas pernas fraquejaram...
Ele, porém, não parava... E nem caia. Os dois homens correram ao encontro dos jovens e, assim que os alcançaram se perguntaram como é que o rapaz ainda estava de pé com aquelas feriadas que cobriam a sua pele descoberta.
-- Papai, nós conseguimos chegar... Mas Ti-Neh desmaiou quando eu corria. Acho que foi muito duro para ela. Pegue-a, por favor! – Anjih passou, delicadamente, a irmã, que parecia mole como uma boneca de pano nos braços do pai. A única parte da pele do rapaz que não estava feria era o local onde apoiara a menina. Apenar de ser um homem grande e forte para os padrões tamuranianos (1,85m e 85 kg), Yoshi não era tão duro quanto parecia. Seu bigode, ostentado desde a adolescência, sempre se abria em sorrisos entre seus homens, seus poucos amigos (entre eles, o mais fiel era Toranaga) e seus filhos.
Com Anjih e Ti-Neh, Yoshi tinha a felicidade completa. Desde a morte da esposa, no parto da caçula. Essa era a sua família. O Amigo Toranaga e os Filhos Anjih e Ti-Neh.
Assim que pegou a filha nos braços, Yoshi sentiu um aperto no peito. Retirou a venda de menina e a apertou forte contra o corpo. Nunca havia percebido como ela era pequenina e frágil. Após passar a irmã para os braços do pai, Anjih sentiu as pernas falharem. Seu corpo amoleceu e o jovem só não caiu por que foi aparado por Toranaga. Ainda tentou ficar de pé sozinho, mas não conseguiu. O Capitão então o ergueu e, com Anjih nos braços grossos se dirigiu ao portão. O garoto era um Samurai.
Assim, Toranaga e Yoshi, carregando Anjih e Ti-Neh foram os últimos
Tamuranianos a entrar na Cidadela Imperial. Quando passava pelos guardas encarregados de derrubar parte das muralhas para bloquear os portões, a menina acordou. Da posição em que estava, ergueu a mãozinha e brincando com seus fios do bigode de Yoshi, disse:
-- Papai...
-- Sim, pequenina? -- Yoshi olhou nos olhos da filha.
-- Anjih me disse para obedecer ele e eu obedeci. Ele disse que íamos encontrar o senhor se fossemos fortes. Eu fui forte como um samurai, não fui?
-- Sim, minha linda. Os dois foram samurais...
E uma lágrima ladina rolou pela face esquerda do velho soldado no mesmo momento em que Ti-Neh novamente desmaiou.


Petrynia, época atual, a dois dias de Malpetryn.

O combate foi rápido. Os dois homens que ainda estavam ilesos se apresentaram para o combate, mas com a vantagem da visão, Hayabusa os abateu rápido. Restava ainda aquele que havia acertado com a flecha. O veneno que usara nela (era sempre bom ter uma ou duas preparadas assim) o imobilizara. Era o suficiente para causar dor e incapacitar a fuga por uma ou duas horas.
Era tudo o que precisava.
Limpou o sangue que ainda estava em Sol Poente com a manga da camisa de um dos mortos e a embainhou. Com Pequena Estrela em mãos, se aproximou do homem. Já havia percebido algumas peculiaridades nos "assaltantes".
As armas que utilizavam pareciam com armas Tamuranianas chamadas "ninja-to". Eram espadas menores que uma Katana, utilizadas principalmente por ninjas e bandidos. Eram refinadas e bem elaboradas... Mas não eram verdadeiras. Pareciam ter sido fabricadas por anões ou em Zakharov. Imitavam armas tamuranianas, mas não eram. As técnicas de forja secretas que os armeiros tamuranianos usam a gerações não permitiriam o que ocorreu. Durante o combate, uma das espadas se partiu com um golpe de bloqueio que dera com a Pequena Estrela. Uma espada, mesmo um Ninja-to não se partiria com menos do que o golpe de uma Katana ou Dai-katana.
Os homens, porém, eram tamuranianos legítimos. Suas técnicas lembravam escolas de Kenjiutso que já enfrentara antes, mas de níveis inferiores. Mas fossem lá o que fossem, foram derrotados. Eram assassinos, mandados por alguém para que fizessem parecer assalto. Se aproximando do único sobrevivente, com a Wakisachi brilhando malevolamente e com os olhos sob os últimos instantes do dom, fitava o homem. Queria assustar. Colocou sua mão livre sobre a flecha encravada no ombro do atacante, apertou e girou um pouco.
--Unghh! -- gemeu o assassino. .
"Ótimo... está bem acordado...", pensou Hayabusa.
-- Levante-se e ande apoiado comigo. Se tentar qualquer truque, verá os seus ancestrais antes do que imagina. Compreendeu?
O bandido respondeu com um aceno positivo da cabeça. Parecia estar sentindo bastante dor.
"Pior para ele..." Hayabusa queria respostas e as teria.
Aproximando-se dos restos da fogueira, colocou o homem sentado junto ao cadáver decapitado. A cabeça parecia fitar os olhos do bandido vivo. O samurai colocou mais alguns pedaços de madeira no local da antiga fogueira e, com a pederneira, a reascendeu. Exatamente no momento em que seus olhos voltavam ao normal.
Sentou-se em frente ao prisioneiro, encarou-o e apontado para a cabeça, perguntou:
--Quer terminar como ele?
--Não... – respondeu o prisioneiro, entre assustado e ferido, dividido entre os olhares do morto e do samurai.
--Então comece a dar respostas. Deixarei bem clara a sua situação: está com uma flecha envenenada encravada em seu ombro. Só eu tenho o antídoto imediato, mesmo sendo o efeito passageiro, ainda durará por algumas horas, mas o que acontecerá antes... Eu não sei dizer. Se me disser a verdade, lhe darei a cura imediatamente. Se mentir, e eu vou saber se o fizer, ou se negar a falar, lhe matarei ou então lhe deixarei aqui para que algo ou alguém o faça. Tirarei suas roupas elevarei as armas e roupas de seus finados colegas. Suas chances são mínimas. O que me diz?
Mas alguns segundos de silêncio...
-- Qual o seu nome? -- perguntou Hayabusa.
Os lábios do bandido se moveram sem nada sair deles. Por algumas vezes iniciou um fonema, mas desistiu... E todo esse tempo o samurai fitava os seus olhos. Por fim disse:
-- Akukama. Meu nome é Akukama. Sou ex-prisioneiro da Milícia Nitamuraniana.
Quando a Milícia prendia ou detia alguém, a pena, depois de ditada, era cumprida em cárcere publico ou em prisão domiciliar, a depender do tipo do crime. Os mais leves recebam multas ou reprimendas públicas, podendo chegar mesmo a prisão domiciliar. Aqueles que cometiam crimes mais pesados eram colocados no Paço da Esperança. Ficavam de um mês a três anos, onde eram preparados para se reintegrar a sociedade como um cidadão comum.
Mesmo em casos de crime, os Tamuranianos tinham o habito de se fecharem. Com um aceno de cabeça, Hayabusa continuou o interrogatório.
-- E o que é que lhe fez voltar ao crime? -- Não era comum que ex-prisioneiros voltasse ao crime. Mesmo entre aqueles que erram, a honra vem acima de tudo. Voltar ao erro era sinônimo de falta de Honra.
-- Eu não posso falar. Se eu falar...
-- Eu o protejo. Juro por minha honra que quem quer que seja não tocará em você -- Akukama viu a verdade nos olhos de Hayabusa. Aquele não era um ronin qualquer como pensou que era.
-- Se você jurar por sua honra que me ajudará... -- Novamente a frase
Morreu no ar. Se estivesse mentindo, Hayabusa teria percebido.
-- Ajudar em que, homem?
-- A proteger uma vida tão inocente quanto à de sua irmã, cujo resgate, agora é a sua missão.
O samurai pestanejou realmente intrigado. Aquele homem que dizia se chamar Akukama sabia de sua missão. Sabia mesmo de sua irmã...
Quem quer que o tenha contratado o informou bem.
-- O que mais sabe da minha missão, Akukama-sam?
Akukama olhou fixamente para Hayabusa. A face pétrea e queimada de sol lembrava a daquelas figuras que adornavam as gravuras dos livros de história. Uma cicatriz que ia de sua têmpora até perto do queixo era a única prova de que aquele homem era algo que não um espírito. Sombras bruxuleantes brincavam nas suas roupas de viagem. Seus cabelos selvagens moldavam um rosto quase adolescente.
Talvez, a primeira vista, parecesse um jovem que entrara a pouco tempo da vida adulta. Mas seus olhos... Seus olhos eram frios. Analíticos como os de um mago poderoso. Parecia que queria penetrar nos segredos mais escondidos se sua alma.
-- Está indo para Malpetryn, resgatar a sua irmã, seqüestrada há oito anos. Você teve notícias de que ela estava sendo mantida na Villa do minotauro Taupys.
-- E como sabe disso tudo, Akukama-sam?
-- Por que a mesma pessoa que seqüestrou a sua irmã há oito anos, seqüestrou a minha filha. E essa mesma pessoa está me obrigando a te matar. Indicou-me esses três homens que eram também ex-prisioneiros.
-- E por que você?
-- Por que eu servi com o seu pai. Eu servi com Yoshi-sama.

3 comentários:

  1. e a história continua^^, com revelações sendo feitas a cada paragrafo, muito boa^^
    hmmm esta com alguns erros de formatação, mas isso pode ser facilmente arrumado^^, aguardo o proximo capitulo XDDD

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  2. uuh, revelações e mais revelações :D
    cada vez melhor *-*

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  3. muito show...
    dica: vc tem que editar o primeiro post, pois o marcador está com capitulo 1 junto, não aparecendo pra quem busca começo...

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