segunda-feira, 22 de agosto de 2011

A cidade de HorseWater


Situada na costa de Bielefeld, a cidade de HorseWater foi fundada a cerca de 180 anos. Inicialmente era um pequeno porto, construído próximo a uma fortaleza na encosta do mar.  A fortaleza foi construída pôr um grupo de aventureiros cujo líder era Khaleb Nerthu. Khaleb era um aventureiro meio-elfo do mar meio Khubariano, casado com uma cavaleira da ordem da luz de nome Aisha Portsand. Khaleb e Aisha se conheceram por acaso, quando Aisha, que fazia parte da patrulha costeira teve seu barco naufragado por um ataque de sahuagins.
Aisha como a maioria dos membros da Patrulha, possuia itens de respirar sob a água e de livre movimentação, mas que foram perdidos durante o ataque. Khaleb e seu pai resgataram a jovem, e cuidaram dela pelo período de algumas semanas. Khaleb nesse período já era um aventureiro experiente, havia navegado pôr grande parte de Arton e tinha uma tripulação constante. Sabe-se que ao menos metade da tripulação era composta de minotauros, e que elfos do mar e humanos também faziam parte desse grupo.

Inicialmente a fortaleza foi construída como um local para guardar os tesouros de uma vida inteira de aventuras. O local escolhido foi uma enseada ao norte de Lendilkar, pois muitos dos familiares dos elfos da tripulação de Khaleb possuíam familiares que viviam nas ruínas submersas da antiga cidade.  O terreno escolhido é uma enseada entre um grupo mais escarpado de colinas  com grandes paredões, tanto a norte quanto a sul, e também escolhido por sua grande profundidade e boa navegabilidade que permitia uma boa área de movimento para navios.

Primeiramente, foi construído a beira do Mar do Dragão Rei, um porto. A cidade surgiu aos poucos, com as famílias dos tripulantes que chegavam. A construção da fortaleza começou alguns meses depois, através das mãos habilidosas de anões. Construída sobre o rochedo norte, a fortaleza é uma grande torre, esculpida acima da rocha, abeira do mar. Com um porto próprio escavado na rocha, a muito tempo pela  força das ondas e com varias salas esculpidas na rocha pelas mãos habilidosas dos anões. Nesse porto ainda  se pode encontrar o navio  J. Roger, que pertenceu a Khaleb, em plenas condições de navegação.

Ao norte da enseada, e ao sudoeste da fortaleza as famílias dos minotauros e dos elfos-do-mar começaram a construção de seus lares. Com o tempo, caravanas de mercadores escolheram seu porto protegido de tempestades para aportar seus barcos mercantes que faziam comercio com Khubar. O comercio com os Khubarianos estava cada vez mais forte. Os mercadores de Bielefeld começaram a construir suas casas no sul da área protegida pela enseada, que ficou sendo conhecida desde então como setor sul, ou setor mercante.

Os anões construíram uma área de forjaria no setor oeste, e uma praça central, por onde passava  um riacho. Tambm fizeram varias esculturas de  minotauros, elfos-do-mar e no centro da cidade  foi posta uma de Khaleb e Aisha sentados sobre a proa de um navio. As estatuas são representações dos membros da tripulação original do J. Roger.

Em HorseWater também se estabeleceram algumas tribos de Khubarianos que enxergaram na comunidade um sinal de aprovação de Benthos. Chegaram ali guiados pelo xamã Thunak. O velho xamã  era conhecido por viver solitariamente no litoral e curava e abençoava moradores de oito tribos de bárbaros  Khubarianos residentes na costa de Bielefeld. Uma noite sonhou com um golfinho que lhe indicava uma enseada e um castelo, e uma grande sensação de paz. Nesse período algumas tribos de khubarinaos estavam, enfrentando aventureiros de Bielefeld, e sendo mortos. Então ele reuniu os lideres dessas tribos unificando-as e seguindo em direção ao sul até HorseWater. 
Thunak e Khaleb se acertaram  e desde então essas tribos vivem no setor leste.

O povo de HorseWater tem como principal divindade o dragão rei Bhentos. Também encontramos cultos ao Grande Oceano e a Khalmyr na cidade. O atual prefeito é um membro da ordem da luz, chamado Henrique Costa, ele é um paladino com cerca de 60 anos. Aposentado para missões devido a sua idade avançada, ele se candidatou ao cargo de prefeito a seis verões, o povo da cidade gosta dele e ele ama a cidade.

A população de HorseWater foge do padrão do reino, apesar de muitos dos moradores dessa cidade serem da mesma origem do povo de Bielefeld, um grande numero de minotauros (10%), descendentes de Khubarianos ocupam uma grande parte (20%), Elfos do mar (5%), Goblins (10%), meio-elfos do mar (5%), humanos (descendentes dos imigrantes que fundaram Bielefeld 40%) e outros (10%).

Por sua afinidade com o mar, os habitantes de HorseWater não o temem, como a maioria dos habitantes de Bielefeld, quase 200 anos vivendo no litoral, comercializando com os elfos que residem em Lemdilkar, com os povos de Khubar, com Wynnla e outros reinos através do Mar do Dragão Rei. Nesse período, muitos casamentos improváveis ocorreram em HorseWater. Muitos habitantes nasceram do casamento de elfos do mar e humanos, e uma boa quantidade de casamentos entre khubarianos e bielefeldenses. Oito gerações após sua fundação, muitos dos jovens de HorseWater apresentam um traço curioso, podem respirar sob as águas. Um traço recessivo do sangue de elfos do mar.

Diferente do resto de Bielefeld, os jovens de HorseWater não sonham em ser membros da Ordem da luz, eles desejam tomar parte das fileiras da patrulha costeira, nos últimos anos poucos jovens tentaram entrar para a ordem da luz. Normalmente filhos de mercadores ou de nobres que não se misturaram com elfos e Khubarianos.  Por outro lado muitos clérigos do grande oceano acabam por surgir nessa cidade, assim como muitos Rangers do oceano. A cidade também possui alguns clérigos de Tanna-Tot e de Thyatis.

A líder dos clérigos de Bhentos é Laika Húk, uma clériga Khubariana que possui tatuagens vermelhas e negras em um padrão eu lembra as escamas de um dragão. O representante de Thyatis é Solomon Sharor, um clérigo e paladino de Thyatis. Os clérigos de Tanna-Tot, estão sob observação, nos últimos anos alguns deles tentaram converter e civilizar os Khubarianos, os lideres dos Khurbarianos se queixaram por esse desrespeito ao prefeito e a ordem de Tanna-Tot foi proibida de pisar na área leste da cidade. Conflitos entre clérigos de Tanna-Tot e de Benthos ocorrem na forma de bate bocas, mas teme-se que se torne um conflito armado entre os paladinos de Tanna-Tot e clérigos de Benthos.

Locais de interesse: a cidadela, possui quatro tavernas, uma em cada setor da cidade “O Chifre do Touro”, “Underwater”, “Cristal Lake” e “Mastim Saltitante”.

 O chifre do touro, se situa nas docas da cidade, pertence a um minotauro chamado Minus, que possui três esposas (nenhuma delas é sua escrava), ele jamais pisou em Tapisa e conta que seu pai foi um dos poucos minotauros escravos que escaparam das galeras de Tapisa.. Suas esposas são primas entre si, e não brigam por sua atenção, mas que não admitem que outra mulher olhe pra seu esposo com olhares maliciosos.

UnderWater é uma taverna que é freqüentada principalmente, pêlos elfos do mar, fica sob o píer, em uma caverna subterrânea.  Existe uma entrada dos fundos construída para a entrada de materiais perecíveis, incluindo bebidas, estocadas em uma área seca e consumidas em outra.

Cristal Lake é uma taverna a beira de uma laguna de água doce que desemboca no mar. Pertencente ao anão Gaelidus Whorse. Gaelidus é um dos poucos anões banidos do reino dos anões. E ele não gosta de falar sobre esse assunto, e a maioria dos anões freqüenta sua taverna sem problemas, mas não comenta ou não sabe o motivo do exilio.

O sorriso de Ariela é uma grande taverna, na realidade um grande salão de festas. Aqui se vendem as mais caras bebidas e é freqüentado pêlos nobres de HorseWater e de Bielefeld, que passam pela cidade e por grupos de aventureiros bem sucedidos. Ariela é uma ex-aventureira, uma barda que viajou no navio de Nerthu. Uma das poucas elfas que não nasceu no reino elfico e que jamais o conheceu.

O comercio com Khubar foi tranqüilo até os últimos 10 anos, corsários de Portsmouth começaram a atacar as embarcações de Bielefeld. O Prefeito pediu atitudes ao regente de Bielefeld mas nenhum pedido a  Deheon, foi enviado, e a resposta é Porthmouth alega que esses piratas não são de seu reino.  E Belefeld não possui marinha para combater esses corsários, alem dos membros da patrulha costeira.

Alguns rumores:
-   Portsmouth esta preparando um grande ataque corsário direto contra HorseWater.
-   Sahuagins preparam um novo grande ataque contra a cidade
-   Um dos clérigos de Bhentos elfo-do-mar, é na verdade um meio-dragão/meio elfo-do-mar, filho do próprio Bhentos.
-   Algumas tribos de Khubarianos do continente consideram a existência de HorseWater uma afronta a todos que morreram na tentativa de civilizarem seu povo. Eles pretendem um ataque em grande escala a cidade de HorseWater e são liderados por um clrigo de Benthos de nome Baltar.
-   Alguns piratas usam o porto de HorseWater para passar adiante mercadorias confiscadas. Alguns mercadores inescrupulosos de Bielefeld aproveitam que essas cargas tem preços abaixo da média.

Notas:  
O povo de Bielefeld segue os padrões do reinado, tendendo a ser moreno claros com olhos castanhos e cabelos negros e lisos, os homens cultivam barbas curtas, enquanto que o povo de Khubar tem pele escura, com tons entre acizentada e marrom, são altos tem lábios grossos e narizes largos.

O típico habitante de Bielefeld tem medo do mar devido a intervenção de Benthos o dragão rei. Quando o povo de Bielefeld tentou “colonizar” o Território de Khubar. O resultado foi destruição da cidade de Lendilkar e a morte do fundador de Bielefeld.

Ainda existem comunidades de Khubarinos no continente, particularmente na área costeira. Muitas vezes esses povos são hostis aos habitantes de Bielefeld, entrando em conflito com as poucas vilas de pescadores que se situam na costa.

quarta-feira, 10 de agosto de 2011

As Crônicas de Antonywillians - O Império de Sckharshantallas - INTRO

Apêndice I
Mapa do Império

PARTE I
A LENDA DE NIATHALLASS


Sckharshantallas é conhecido como o Reino do Dragão das Chamas, seu regente máximo é o próprio Rei dragão Vermelho Sckhar. A psicologia dos dragões diz que eles não admitem outros em seu território, sendo uma raça possessiva e territoralista, mas neste caso, o regente aceita que todos ali vivam, contanto que se submetam a suas ordens e ao seu poder, como se tudo em seu grande reino fosse sua propriedade, inclusive a vida da população. Em seu reino enorme há alguns mini territórios feudais, como que pequenos reinos, que foram dominados pela força real do dragão, um desses é o reino de Logus, conhecido por desde a era dos bárbaros dominarem o conhecimento sobre tudo que envolve dragões.

Neste momento, sobre uma colina na fronteira de Logus, repousava, observando o castelo ao longe, um jovem elfo e chapéu emplumado, longos cabelos verde-metálicos, capa esvoaçante e roupa brilhante. Seu nome era Antonywillians, um companheiro meu! Ah, sim, sou Zoolk, um halfling clérigo de Tanna-toh e acompanho o elfo espadachim em suas missões na esperança de que eu escreva a melhor dentre todas as lendas. Hoje vou contar-lhes neste livro, como Antonywillians criou fama no reino mais perigoso de Arton. No reino onde o próprio regente tirano é o rei dos dragões vermelhos.


Antony observava o longe, como se buscasse encontrar algo além da barreira de nosso plano. Devo salientar que penso que seja um olhar de um filho que busca o colo inalcançável de uma mãe que morreu ou ao menos foi para longe. O espadachim era alegre, destemido e puramente sem noção, mas mesmo assim, nas raras vezes que se sentia sozinho, entristecia, como se lembrasse coisas ruins, algo bem possível, afinal como muitos elfos que caminham pelo Reinado, ele era um dos poucos sobreviventes de Lenórienn, a cidade élfica que caiu e foi dominada por goblinoides.


– Senhor Willians, desculpe a pergunta... – interrompi os pensamentos dele para assim retirar a expressão séria dele, pois a resposta para minha pergunta eu já sabia – Mas... O que realmente viemos fazer no reino de Logus?

Antony sorriu, como se entendesse minha real intenção por trás da pergunta. Ele se levantou, bateu na roupa para tirar a poeira e sacou o sabre que vinha embainhado em seu cinto, erguendo-o em direção ao sol, soltando um brilho mágico que refletia a coragem e determinação daquele elfo.

- Heh! Glórienn me enviou um sonho. Ela deseja que eu salve a princesa daquele reino, antes que ela caia nas garras de Sckhar! – ele guardou o sabre e se virou para seu goblin escravo que dormia encostado em um tronco de árvore próximo, ao lado das bolsas com nossos equipamentos – Acorda logo seu imprestável! Vai se preparando para partirmos! – e deu um chute no goblin, ah sim, o nome do escravo é Henk!

Andamos um pouco pelo campo de relva amarelada. O clima neste reino era quente, uma influencia dos vários vulcões em atividade que ao longe era possível até vê-los soltando eternamente a cinza nuvem de fúria. À nossa frente estava uma grande cidadela construída na encosta de um deles, enorme e solitário em meio ao campo de relva, em seu topo a fumaça era liberada calmamente, diferente de um geralmente em fúria vermelho-cinzenta. A capital deste mini reino, Lasttela era um esplendor da arte anã de arquitetura, quando chegamos aos portões de entrada na cidade, ao pé da montanha podemos ver o trabalho minucioso com a pedra que fez a parede da muralha mesclar-se a terra da montanha e parecer refletir uma aura rubra.

- Por favor, identifiquem-se! – disse um guarda de armadura prateada com elmo em forma de cabeça de dragão.

- Sou Antonywillians, este ao meu lado é zoolk, e o goblin é meu escravo, Henk! – Antony realizou uma reverencia e deixou cair uma rosa aos pés do guarda – Sou um filho de Glórienn e vim descansar em vossa cidadela antes de retornar a minha jornada!

O guarda o observou, junto aos outros três, cada um com uma poderosa lança na mão que brilhava contra a forte luz do sol.

-Por favor, sejam bem vindos à Lasttela! – ele fez uma reverencia e ao bater com o cabo da arma no chão a grade do portão se abriu.
Antony agradeceu e começamos a adentrar a cidadela.


A cidade era algo que chegava perto do indescritível. Erguida por mãos anãs, o trabalho com a pedra era algo que faria qualquer arquiteto se emocionar com tal habilidade e talento, cada casa, templo, palácio, mansão e até tavernas sujas eram uma explosão de beleza. As pilastras, duras e firmes, pareciam vivas e até trajadas, a pedra que compunha a tudo era a mesma das torres e da parede da muralha. Cada casa tinha uma forma, e ainda que feita de uma pedra vermelha rústica, o rubro fazia um show de cores fortes no céu quando batia a luz do sol. Nas ruas haviam várias estatuas em homenagem aos anões que ergueram a cidade, e nada era menos contraditório que a própria população: em uma estimativa tinha uns 50% de humanos, uns 40% de elfos e uns 10% de anões. A moda da cidade era vestir túnicas leves (por causa do calor) vermelhas e com jóias. Todas as ruas eram bem vigiadas, com guardas como os do portão de entrada por todos os cantos que se olhava, mas o mais medonho de lindo era a grande fortaleza no extremo norte da cidade, próximo ao topo do vulcão, local onde vive o rei deste mini reino.

- Como é belo... Não é, senhor Antony?

- Devo alegar que realmente os anões fazem um bom trabalho! – ele sorriu – Heh! mas só tenho uma coisa a indagar sobre essa cidade...

- o que, senhor Willians?

- Cadê as mulheres... – ele fez cara de triste – só tem anão barbado e mulher casada!

- Ninguém merece... – disse vendo, calado, um grupo de jovens e belas elfas saindo de uma escola.

- Bem, vamos até uma taverna! – disse sorridente enquanto passávamos ao lado de uma fonte onde havia a estatua de um dragão marinho cuspindo uma rajada d’água.


Taverna Vulcão Prateado. Dentre as muitas belezas da cidade está esta taverna, na forma de um belo vulcão composto de paredes de prata pura, com seu interior cheio de mesas abarrotadas de gente falando alto e se divertindo, tudo envolta de um balcão no centro cercando vários grandes caldeirões (a fumaça sai pela abertura no topo, que parece uma cratera vulcânica).

Sentamo-nos em uma das poucas mesas vazias. Estou a reler o que escrevi até agora, Henk está fazendo os pedidos e Mestre Antony está em uma mesa cercada de mulheres que em alguns segundos irão esbofeteá-lo ou se apaixonarem por ele, como de costume...

- Bonjur, belas donzelas! Poderia fazer uma pergunta?

- Claro! – elas sorriram envergonhadamente.

- Qual de vocês é a princesa deste reino? Ou melhor, com tal beleza – disse olhando profundamente em seus decotes – qual de vocês é a deusa deste reino? – colocou uma rosa na mecha do cabelo de cada uma.

- Tee-hee! – uma delas, de pele morena sorriu – quéisso seu bobo, somos apenas filhas dos conselheiros da corte!

Logo um meio-orc alto se aproximou da mesa. Sua feição era severa e seus olhos desejavam punir o elfo inoportuno. Ele agarrou o braço de Antony.

- Deixe-as em paz, orelhudo!

Antony se livrou daquela mão verde.

- Ora ora um meio-orc... acho que devia ter sentido seu fedor!

O meio-orc estremeceu de raiva e sacou o machado. As meninas colocaram a mão na boca segurando um gritinho, até que a morena interveio e se pôs entre os dois.

- Por favor, sem brigas!

- Permita-me aniquilar esse monstro, milady! – disse Antony sacando o sabre e colocando uma rosa entre os dentes.

- Ele é nosso guarda-costas, senhor! – disse outra das meninas.

- Um meio-orc!? – o espadachim pareceu confuso.

- Sim, somos a oferenda ao nosso deus!

Antony realmente ficou confuso...

- Como assim? Ele é servo de algum cultista?

- Não, senhor! Nosso deus não é como o de vocês dos reinos mornos, nosso deus é – o olhar de cada menina ali brilhou e cada nativo na taverna ao ouvir nome fez uma mesura com a cabeça e colocou a mão no peito – o Rei Sckhar!

Antony arregalou os olhos.

- Portanto as deixe em paz! - disse o meio-orc.

- E vocês aceitam ser oferendas????

- Sim, é uma honra, só a princesa Niathallas que se recusa, mas ela será o inicio do tratado deste reino com a Capital Ghallatrix! Ai, ai... que inveja dela...

- Mas Sckhar é um maldito dragão tirano!!!!!

“Maldito” só as palavras dele naquele momento e lugar errado. Ignorando a comida que ainda seria servida, fechei o livro, corri até ele e puxei-o até a porta junto ao goblin, enquanto todos os guerreiros sacavam as armas e magos espiões o observava com ódio.

- Que loucura... – ele disse já a dois quarteirões dali.

- Que loucura mesmo, senhor Antony! Este é o reino de Sckharshanttallas, o Rei dos Dragões Vermelhos, apesar de tirano é venerado, adorado e amado por todos aqui, e criticar ele ou seu governo nestas terras é pura burrice. Há espiões e guardas da grande Capital por toda parte!

Antony fechou o punho no sabre.

- Droga, isso me faz lembrar de Mitkov e os Yudenianos! Venha, Zoolk, temos uma princesa a salvar das garras de um dragão rei!

Que estas palavras fiquem gravadas em vossos corações e vossas mentes para provar o quanto Antonywillians é sem noção...

Enquanto andávamos pela cidade em direção ao castelo, chegamos a uma avenida principal cheia de lojas das mais variadas coisas. O movimento ali era grande, principalmente por que na praça principal estava um grande templo em honra a divindade do regente Dragão, todo feito de um de metal vermelho conhecido como Lava-Rubi (metal natural do reino similar a lava cristalizada), cheio de estatuas e gárgulas na forma de um dragão imenso do olho esquerdo com três cicatrizes. Antony cuspiu em escárnio ao olhar os clérigos do dragão entrando no templo. Nós fomos fazer umas compras: ração de viagem, amolar a lamina do sabre de Antony, tochas, umas poções de cura feitas por elementalistas das chamas, Sckharluziss (uma espécie de guloseima doce feita de uma fruta parecida com cacau, na forma de um dragão) e eu comprei uma das túnicas vermelhas, bem confortável devo dizer. Este é um de nossos mais prazerosos passa-tempos, gastar ouro de outras aventuras em mercados de coisas diferentes.

No final das compras seguimos para a praça, onde um grupo de pessoas se reunia envolta de um jovem bardo de roupas rubras como o magma que lhe encobriam todo o corpo, inclusive um chapéu vermelho de abas longas (cheguei achar estranho de tão grande que era) que entoava uma canção com eu violino vermelho que fazia todos dançar freneticamente. Eu fiquei a dançar junto a Henk, e Antony logo se enturmou com uma humana.

Após um bom tempo de diversão o bardo parou e começou a falar, numa voz chiante e sibilosa.

- Vou contar-lhesss uma história... Uma lenda antiga sssobre a princccesssa de Logusss! Sssaibam que esssta historia é sssecreta, e apenasss os bardosss essspecialissstassss e a corte sssabem!

Todos pararam para escutá-lo e sentaram na grama.

- Issto tudo eu desscobri desscendo até a parte mais profunda de uma catacumba nosss ssssubterrâneos desssta cidade! Contava nos hielogrifoss sssobre a era em que os bárbaross invadiram esssste reino, já dominado por Ssssckhar. O deusss dragão teria permitido que aqui resssidissem sse o venerassem, pagassem tributos e mulheresss. Asssim foi por muitoss anoss, até o sssurgimento do Rebelde Lassstimus Dragonfang, um grande guerreiro que odiava o Deus e sssse revoltou. Esste era apaixonado pela filha do líder da tribo, a Lady Arthelles, a qual foi entregue ao Rei Dragão como noiva-sssacrificio. Enraivecido, o jovem viajou pelo reino até o covil de Sssckhar e o desafiou para um combate em nome da mão da princesssa. Lutariam sssobre um vulcão, chamado pelos bárbaros de Morada das Chamas. O combate apesssar de tudo foi difícil, poisss o jovem lutava com todass asss forçasssss de sseu amor que queimava maiss que a lava daquela montanha de magma, e quando esstava para ser derrotado por um cone de fogo, a jovem princesssa Arthelles apareceu e o sssalvou-o se lançando sobre ele. Infelizzzmente elesss perderam o equilíbrio e caíram cratera adentro até falecerem os trêss, derretidosss por amor em meio a um magma de agonia. Dizzem que os trêsss nem sssentiram dor, poisss o amor os teria anestesiado em um terno beijo de ultimo ssusspiro de uma paixão eterna...

- Perdão, senhor, você disse os três? – eu o interrompi sedento por informação, mesmo com o olhar de desaprovação de Antony.

- Sssim, jovem clérigo do conhecccimento! A princesssa Arthellesss, o guerreiro Lastimus Dragonfang e o bêbe que ela esssperava do próprio Sckhar! - todos arregalaram os olhos - Na fúria Ssssckhar resssolveu exxxterminar a tribo do jovem bárbaro, masss o líder e osss xamãss proporam um acordo... Apóss 300 anoss a princessa reencarnaria novamente e ssseria uma meio-dragoa, podendo lhe dar uma prole poderosssa e de sssangue puro, e asssim a tribo realizzzou um ritual de sssete dias e sssete noitesss! A princessa Niathallass nassceu exatamente 300 anos apósss aquele dia na cidade que fica encossstada na messma montanha de fogo em que os trêss morreram, sssssimplificando, foi nessste vulcão da capital de Logusss em que esstamosss que a Lady Arthelles morreu e nassceu a princesssa...

Ele sorriu com os rostos entusiasmados.

- E de acordo com ass essscriturasss, o esspírito de Lasstimuss Dragonfang retornaria junto ao dela para ressgatá-la mais uma vez das garrass do regente! Espero que tenham gossstado! Adeuss a todoss e que Tanna-toh esssteja com vossssco!

Então tocou uma nota no instrumento e uma grossa nuvem de fuligem o encobriu para logo se dissipar junto a presença do bardo.

As expressões eram de terror, excitação, entusiasmo e espanto com a saída do bardo. Antony ficou pensativo, assim como eu...


Assim que todos já haviam retornado a seus afazeres e voltavam a caminhar pela bela cidade, eu e Antony nos sentamos próximos a uma fonte, sob a sombra de uma árvore.

- Interessante a história do bardo! – ele comentou pegando um dos sckharluziss e comendo – Daria uma ótima aventura!

- Eu desconfio na veracidade desta estória! – eu disse enquanto escrevia este conto – Se ela é uma meio-dragão, o rei ou a rainha é um dragão e o próprio Sckhar rejeita dragões em seu reino!

- Mas parece que ela já nasceria meio-dragoa por um ritual!

- Sim, mestre Willians, mas ainda sim tenho minhas duvidas...

De repente trombetas tocaram ao longe, uma multidão de gente correu para a avenida deixando um caminho aberto, curiosos de natureza, eu, o espadachim e o goblin fomos ver o que acontecia.

Vindo da direção do castelo tinham vários cavaleiros montando Pseudodragões (criaturas similares a dragões, mas sem inteligência, sem fala, magia e tamanho colossal), e aquelas damas da taverna, cercando um Besour (um besouro enorme e manso que é encontrado como montaria em varias partes do reino) que trazia em suas costas uma tenda de seda rósea onde se encontrava uma dama sob panos e véus luxuosos que acenava a todos. Antonywillians ficou estático, como de costume, claro... Ela realmente parecia ser linda, mesmo com aquelas vestes todas. Enquanto ela passava, a cidade vibrava e bradava vivas a ela.

- Esta deve ser a princesa prometida Niathallass da qual o bardo falava em sua história! – eu disse sem poder conter meus conhecimentos e idéias, e não deu outra, logo a multidão começou a bradar seu nome.

- Heh! A prometida, pela lenda, à Sckhar... – disse Antony.

- Nem pense em corteja-la, meu caro, digamos que o marido dela é meio poderoso e possessivo! Hohoho! – eu ri junto ao espadachim.

Logo os céus da cidade começaram a chamuscar com tiros de fogos de artifícios que estouravam em varias cores e formatos, nossos corações pareciam pular de felicidade e serpentinas com confetes caiam dos céus. Envolta do Besour se reuniram quatro bardos que formaram uma banda estupenda com tambores e trombetas que começaram a entoar um hino, o hino de Skharshanttallas. Em resposta eu vi que todos da cidade entravam em posição de continência, era algo que via apenas em reinos muito ufanistas, como o que vi, quando eu fui com o senhor willians para Yuden.

Tudo parecia perfeito, mas então... um dos fogos de artifício não subiu e caiu sobre um dos guardas que entrou em labaredas junto à bandeira do reino que possuía a imagem de sckhar.

- Protejam a Princesa! É uma emboscada!!!!!! – gritou um guarda enquanto a multidão entrava em pânico e vários pés e pernas começaram a me empurrar para longe.

Antony me pegou e colocou em seu colo (cena deploravelmente vergonhosa devo alegar...) e conseguimos escapar da confusão aparecendo na área vazia aonde passava a princesa e os guardas. As filhas dos conselheiros, prometidas para o harém de Sckhar pareciam ter se misturado a multidão e se escondido de pavor.

Cinco guardas altamente armados estavam cercando o Besour assustado, os bardos haviam fugido e Antonywillians sacou o sabre. O espadachim correu até eles e lançou uma rosa no ar que chamou a atenção dos guardas (um impulso nem um pouco sadio). Vendo a aproximação do estranho apontaram suas armas para ele.

- Sou Antonywillians, um dos Maiores Espadachins do Reinado e desejo ajuda-los!

- Parado aí... – eles ordenaram até que de súbito veio o grito da princesa.

Assim que olharam para cima do besouro gigante, havia um homem de trajes verdes, com longos cabelos ruivos e uma mascara sem rosto que agarrava os braços da princesa que tentava resistir.

- Socorro!!!

- Vem comigo, sua idiota! – disse o homem que percebeu os guardas os olhando – Sszzéss!

Logo se aproximaram três homens que estavam escondidos em becos. Seus corpos eram escondidos por mantos, incluía um pequeno como eu, um grande e robusto com chifres saindo do capuz, provavelmente um minotauro, e um de tamanho normal com um cabo de couro na mão o qual com um movimento liberou uma corda famejante. Eu fiquei assustado com o chicote mágico de chamas, se acertasse alguém devia doer...

Os guardas tentaram subir no besour, mas o homem do chicote os impediu açoitando um que caiu ao chão gritando pois o chicote atravessara sua armadura e queimara sua pele. Antony não se conteve e com um impulso deu uma cambalhota aérea e caiu de pé sobre o monstro. Colocou um pé sobre o trono onde a princesa se sentara, ajeitou o chapéu emplumado com um dedo e apontou a lamina do sabre para a cara do sujeito seqüestrador. Sua capa esvoaçava num efeito heróico incrível.

- Liberte-a e permito tua fuga com vida!

- Nunca!

Em resposta Antony saltou sobre ele descendo a lamina que foi aparada pelo açoite do chicote de fogo que a prendeu e quebrou na metade. Assustado caiu lá de cima sobre mim, que tentei fugir sem chance... O seqüestrador segurou a princesa firmemente e uma luz de teletrasporte o envolveu sumindo em um clarão flamejante, os capangas fugiram para os becos e a guarda (os dois que continuaram conscientes) não os alcançaram. O Besour assustado irrompeu pelas ruas em alta velocidade. Antony permanecia inconsciente por bater com a cabeça no chão. Hunf! E adivinha quem teve que arrasta-lo até a estalagem mais próxima... Sorte que tínhamos o Henk!



EM BUSCA DE LENORA - Introdução

Também estou preocupado com Lenora!  Ela não estava na lagoa da Vila Élfica, onde costumava ficar! Os elfos dizem que ela recebeu notícias de casa e sumiu!"
- Luigi Sortudo quando a elfa do mar desapareceu 


APRESENTAÇÃO

Como a série de Holy avenger abriu uma brecha para diversas aventuras, me interessei em escrever um conto que narrasse o resgate da elfa Lenora por seu grupo. E sendo convidado a postar meus contos por aqui, este é o primeiro de vários romances onlines fanfic que faço para o cenário.
Grande parte da aventura se passará pelo lado leste do Reinado, com reinos como bielefield, Hongari e Khubar. Inicialmente era um RPG que eu mestrava, mas estou transcrevendo em narrativa, a fim de divertir os leitores.
Postarei contos e romances semanalmente, mantenham-se atentos!

Boa leitura,
Aventureiros! YIEKES!!!!


Autor: Douglas "Antonywillians" Magalhães Almeida
Data de início: 10/12/2009

PRÓLOGO
ENCONTRO DOS HERÓIS

Cansado de aguardar, e ansioso pelo encontro, Leon Galtran jogou-se em um banco de madeira que se moldava magicamente tornando-se macio e almofadado. Seus olhos estavam inchados pelas noites sem sono que tivera desde quando retornava das montanhas de Teldiskan, acompanhado de seu companheiro Luigi Sortudo. Sentia o coração bater acelerado como raramente ocorrera em sua vida, mal podia acreditar que finalmente encontraram uma pista… Uma aventura.

Haviam se passado longos dois anos desde que os três sobreviventes do antigo grupo haviam decidido aventurar-se por Arton para encontrar Lenora, a belíssima elfa-do-mar guerreira, e trazer Karin de volta à vida, sua amada esposa há muito assassinada de forma desumana. Sem dúvidas, não era a solução para todos os problemas que cada um tinha ali, contudo, se a pista estivesse correta, estavam dando o primeiro passo para libertarem-se de seus desesperos.

- Heh! Leon, você parece uma criança aflita! – Luigi, o bardo meio-elfo, comentou ajeitando o chapéu emplumado de abas longas que lhe ocultavam os olhos misteriosos, permitindo desvendar apenas seu eterno sorriso matreiro. Escorou-se nas barras de ferro que os separavam do aviário das fênix enquanto dedilhava as cordas de seu bandolim feito de madeira de carvalho antigo.

Leon ignorou o comentário e desviou sua inquietude para algum ponto do infinito acima, mirando seus olhos cansados nos seis sóis coloridos que repousavam no céu alarajando da Grande Academia Arcana. Estavam no local que era o sonho de todos os conjuradores de Arton, no maior centro acadêmico especializado em feitiços, dirigido pelo Mestre Máximo da Magia, Talude, um velho arquimago que conversava pessoalmente com a própria deusa criadora de tudo que é mágico, aquele lugar era responsável por criar a maioria dos mais poderosos e admirados conjuradores do mundo, lugar onde a fantasia não deixava a desejar, com uma vasta planície verdejante tomada por árvores brilhantes e pequenos bosques repletos de vida, além de um rio e lago cristalinos recentemente criados pelo poder do diretor.

Múltiplas formações de arco-íris pintavam os horizontes em todas as direções, ligando algumas nuvens às outras, como pontes, as quais eram remodeladas, pelos ventos fortes, em formas do rosto de quem as observava ou em animais, movimentando-se como que vivos. Os seis sóis, cada qual de uma cor, estavam situados em um ponto cardeal: vermelho ao norte, azul-claro ao leste, verde-azulado ao sul, verde ao oeste, um negro que nunca parecia ir muito além de próximo à linha do horizonte, movendo-se na vertical e como que nunca fosse se pôr, e por fim um sol branco que ficava no meio do céu emanando uma forte luz sobre aquelas terras. Os seis sóis pintavam a abóbada celeste como se fossem artistas experientes e criativos. Por vezes avistava-se revoada de pégasus ou mesmo gansos de cauda cintilante.

No centro da planície era encontrada uma colina onde estavam dispostos oito prédios, torres e palácios magníficos que pareciam baseados diretamente na arte arquitetônica dos povos do deserto e dos califas, com abóbodas arredondadas e muitos toldos coloridos pelos vastos corredores. Não raramente, também era possível encontrar as centenas de estátuas da deusa da magia, Wynna, patrona daquela escola de magos. O próprio Leon via diante de si uma fonte com a bela imagem da entidade divina personificada em uma linda mulher de cabelos longos espalhados ao ar, confundindo a uma aura de magia, trajando apenas tiras de couro que pouco se esforçavam para lhe ocultar a nudez do corpo esbelto, porém o mais magnífico era a água cintilante com carpas vermelhas e vivas que jorravam de suas mãos erguidas. Os peixes nadavam um pouco na fonte até desaparecerem magicamente.

O ladino e o bardo estavam aguardando na parte do campus reservada como zoológico de criaturas mágicas. Luigi tocava uma canção com seu bandolim enquanto admirava as fênix voando dentro do aviário, piando em uma canção jamais emitida por outras aves, capazes de encantar qualquer assistência na maior sorte de gosto musical… Luigi as admirava por esta habilidade incrível, e muitos bardos sonhavam estudá-las para desenvolver a mais bela e encantadora das melodias. Passado algum tempo, algumas queimavam sob brasas impiedosas, virando cinzas de onde aparecia um ovo rubro que o bardo se interessou em espiar sob a sombra de uma das muitas árvores no local, inspirando-se para criar um cântico que fosse capaz de descrever a beleza daquela morte das aves.

- Por obséquio, venho a solicitar o perdão de vocês, meus caros companheiros! Estava lecionando uma matéria deveras complexa sobre teorias de transfusão óssea regular em batráquios reanimados no curso de extensão deste semestre! – a voz calma, madura, por vezes fria, direta e cheia de erudição os atingiu.

- Não desejávamos atrapalhar seus afazeres necromânticos tão cheios de energia positiva, caro Vlad! – Luigi riu pendurando o bandolim no ombro enquanto se aproximava do mago lhe apertando a mão.

O grupo enfim se reunira, ao menos os membros que sobreviveram após tanto tempo de aventuras e desventuras. Vladislav Tpish, o membro mais velho do grupo, era o necromante de cabelo engomado, bem cortado e penteado, trajando um manto longo e roxo-escuro com alguns bordados em formato de runas, com um cinto de algibeiras para ingredientes que pendurava no ombro esquerdo e entrava pelo flanco direito da sua longa capa, também trazia em sua mão um cajado com entalhe no extremo superior no formato de uma cabeça em ouro de dragão. Como sempre, a expressão do mago era dura, séria, quando não severa, com escassos sorrisos, de sobrancelhas curvas examinando a tudo com academicidade gélida.

Leon Galtran era o ladino do grupo de aventureiros, homem que há muito perdera seu sorriso também, entregando-se a uma vida de lamúrias após o falecimento da sua esposa graças a seu sobrenome maldito e sua infâmia como o criminoso mais procurado de todo o Reinado. Seu cabelo castanho-claro agora estava desengonçado e caído por toda a face de barba por-fazer, sem contar sua roupa de aventureiro toda amarrotada. Os olhos estavam marcados por depressões profundas às quais mergulhava esporadicamente. Atualmente apenas as aventuras, seu filho Sandro, que estava em uma vida pacifica e feliz com a esposa que encontrara, e seus dois netos, Kaio e Karina, lhe eram capazes de atribuir-lhe graça e alegria.

Luigi também perdera muito naqueles anos, seu sorriso matreiro podia enganar a muitos com uma falsa alegria, pois a verdade insana em seus olhos era obscurecida na penumbra das abas do seu chapéu, e os deuses queiram que jamais seja revelada novamente.

O mago não veio sozinho, ao seu lado estava uma graciosa jovem de traços similares aos seus, usando uma capa negra e mágica, com caveiras que se moviam sozinhas aparecendo e desaparecendo aleatoriamente, sobre uma túnica branca com mangas indo até seus pulsos, e trazia livros sob o braço assim como uma bolsa de couro presa com uma tira transversal ao seu dorso. Era a filha de Vlad, Petra Tpish, amaldiçoada com a doença da disosmia por um inimigo do mago, que lhe anulara o olfato e paladar tão necessários para concretizar seu sonho hoje falido: se tornar uma cozinheira da casa imperial. Ainda vinha acompanhada de um pequeno e, aparentemente, inofensivo servo morto-vivo. Era Tarso, um crânio que levitava vestindo uma boina e uma roupa com mangas flutuantes, o serviçal carregava dezenas de cadernos e pergaminhos de Vladislav. Petra sorriu para os dois homens amigos de seu pai que conhecia desde que nascera.

Devolveram o cumprimento de mesma maneira.

Atrás deles vinha um elfo alto, bem constituído, usando um cachecol de extremidades caídas em cada ombro. Seus olhos eram diferentes, com o globo totalmente negro e a pupila branca. Seus cabelos caíam pelas costas, longos e lisos, mas pareciam a feder a tequila como Luigi observou em um sussurro para Leon, e logo perceberam que era o ex- mordomo da família Tpish de Petra, Klauskinsk (ou só Klaus). Ele guiava dois meninos e uma garota com idades próximas aos 8 anos. Enfim cumprimentaram-se solenemente.

- Novos filhos, Vlad? – Luigi sorriu dando um lenço para as crianças que espirravam copiosamente.

Vladislav foi pego de surpresa e ia começar a falar quando foi interrompido pelo único menino que não espirrava.

- Eu? Rarr rarr rarr! Nunca, mamíferos são nojentos com esses pêlos! Hunc! 

Petra repreendeu-o com um olhar censurador.

- Rolph!!! Já falei para não ficar puxando ranho!

O pequeno ficou emburrado e sussurrou.

- Tah mãe!

Leon e Luigi riram compreendendo. Há dois anos Petra havia conhecido uma misteriosa moça que lhe presenteara com cinco ovos de trogloditas, os quais crescem aos seus cuidados como se fossem filhos. Eram Rolph, Troggu, Drake, Evy e Offelis.

Vladislav sorriu fazendo cafuné na filha.

- Eles tiveram aula de metamorfose mágica ainda há pouco e acabaram errando no processo gestual de Gwyn, então conseguiram se transformar em humanos, mas ficaram com alergia à transformação! Próprio do efeito metanomifritz!

Nem o bardo nem o ladino compreenderam muito, mas foi suficiente.

- Então, companheiros de campanhas enlevantes, o que me legam para tal digna presença? Pela urgência da diligência em que enviaram Tarso à procura de minha pessoa, me indago se não tens grandes notícias em arroubo!

- Mãe, o vovô ta xingando os tios? – Offelia perguntou em meio a um espirro.

Petra sorriu preferindo não responder.

- Vlad, será que podíamos ficar a sós? – Leon indagou tornando sua expressão mais séria.

- Deixe que eu levo os pupilos para passear, mestre Valdislav! – disse Klaus curvando-se como se ainda se sentisse mordomo do necromante.

- Agradeço, meu caro! O faça por obséquio, deixe os pequenos voltarem ao normal sozinhos, só assim um mago aprende a acertar a magia! Petra, os acompanhe até que o intervalo das aulas acabe! – a jovem assentiu com um sorriso meigo - E Tarso venha comigo, por favor!

~

Logo os três aventureiros caminhavam sozinhos por entre os cativeiros dos animais mágicos que rugiam para eles, como a quimera imensa que emitia sons guturais louca para atacar, todavia, impedida por uma barreira invisível, Leon se afastou por receio. Ninguém falava, apenas davam passos e mais passos. Nenhum aluno estava por ali àquela hora, nem havia os servos da Academia, somente aquele grupo de heróis há muito derrotados, e seus passos que ecoavam até os seres ali os observando atentos como se os três fossem as verdadeiras estrelas do zôo e não as próprias criaturas.

- Devo salientar, meus caros, que a atinação de vocês foi deveras sábia! – Vlad quebrou o silêncio colocando as mãos dentro das outras mangas de seu manto.

- Foi idéia do Luigi! – disse Leon andando com as mãos atrás da cabeça e de olhos fechados, completamente descontraído – Não queríamos atrair boateiros ou inimigos!

- Somente a Grande Academia Arcana de Talude fica fora de espionagem comum ou mágica! – Luigi continuou enquanto tocava algumas notas em seu bandolim – Afinal, imagine se nosso inimigo descobrisse que encontramos uma pista valiosa sobre a localização de nossa Lenora? Não somos mais aventureiros novatos para cometer gafes de iniciante, dois de nós chegam a ser tão veteranos que até são avôs!

Eles lembraram do grande inimigo o qual foi abordado, Sckhar, Rei dos Dragões Vermelhos, aquele que desgraçou a vida de cada um ali. O silêncio recaiu sobre o grupo, pois as lembranças lhes abafavam a alegria e a vontade. Somente a lembança dos netos recuperaram o mago e o ladino.

- Então, Luigi, você conseguiu encontrá-lo? – Vlad indagou entregando o cajado para que Tarso segurasse.

- Por incrível que pareça não foi tão difícil! Principalmente quando recebemos uma ajuda de um rei dos dragões mais poderosos do mundo, não é? Heh! – Luigi fez um gesto positivo para o pequeno crânio serviçal que respondeu com um aceno.

- Quem diria, não é? Sorte ele estar conosco, ou jamais iríamos acertar a senha para entrar aqui, sem contar que é maior burocracia para interromper uma aula e pedir a presença de um professor companheiro de aventuras! – disse Leon – Antigamente ele só andava com você e Petra! Você mudou muito em dois anos, Vlad! Tarso podendo se aventurar com a gente sem você por perto, deixando sua filha mais livre e até deixando que ingressasse na Grande Academia Arcana!

Vlad calou-se por um tempo e então tentou um sorriso.

- Com todos aqueles acontecimentos não temos como não mudar, caro Leon! Alego que é a hora de permitir Petra de seguir com as próprias pernas, e se ela pretende mexer com magia para buscar a cura dela sozinha, que seja! Não vou interferir mais! – suspirou – Acho que mudamos o assunto de novo! Então, Luigi, o que descobriu?

- Eu segui pelo fundo do Mar Negro por um bom tempo até encontrar a cidade de nossa companheira! – o bardo narrava como se contasse uma história tocando seu bandolim e errando pelo zôo – Desolação, ruínas, destruição… Estas palavras são capazes de descrever o que acontecera ali! Estava arrasada, e uma nova capital para aquele reino foi erguida longe dali! O local foi completamente abandonado! Consideram amaldiçoado! Após mais algum tempo de procura e eu finalmente cheguei! Era profundo, medonho… nunca vi algo assim em tanto tempo de aventura, Vlad! – Luigi brevemente havia perdido o sorriso, e mesmo Tarso segurava a bainha da calça do bardo com suas mãos invisíveis para reconfortá-lo, pois presenciara o terror do meio-elfo ante a cena quando o ajudou a alcançar a área – Era um deserto de breu no meio da perdição! Não havia luz ou esperança… monstros cercavam todas as trilhas! Alguns pareciam mais horrendos do que o cadáver de uma orc velha! E quando encontrei o abismo vi apenas um único tentáculo da coisa… Tão grande, tão forte e tão horrendo que se erguia por quilômetros e sua espessura era maior que o raio da cidade de malpetrim… Era capaz de arrastar frotas inteiras de navios para as profundezas, e mesmo assim não fui capaz de alcançá-lo de frente!

Vladislav analisou cada palavra enquanto infiltrava-se na narrativa floreada de advérbios, comum para os bardos.

- Era ele, Vlad, o mestre de Lenora! Ele me disse com uma voz inaudível que ecoava das correntezas para dentro de meu espírito! Lenora estava viva, meu caro colega, ele me informou que nossa elfa não está morta como pensávamos! Quando retornei, andei buscando algumas informações na embaixada de Sckharshantallas e descobri que o infame dragão regente recentemente enviou vários escravos elfos-do-mar para um certo rei dragão como aliança de amizade e paz, e entre eles haviam membros de uma família real que reinara no Mar Negro! Lenora está com o Rei dos Mares do Leste! Em outras palavras…

- O Rei dos Dragões Marinhos… - Vladislav permitiu-se continuar a frase fazendo de seu pensamento palavras – Benthos! Tenebra e Wynna… Lenora é escrava de Benthos???

O bardo engoliu em seco.

- Pois é… - Leon pronunciou-se dando uma cusparada no chão - … dragões-rei são nosso karma!

O mago parou de caminhar e observou Tarso.

- Você sabia?

O crânio confirmou com a cabeça, Luigi fez uma expressão de surpresa súbita e indignação com o serviçal morto-vivo.

- HÃ?! COMO ASSIM??? E POR QUE NÂO NOS CONTOU? POR QUÊ? – o bardo avançou sobre o servo ignorando quem ele realmente era.

Leon segurou-o.

- Luigi!

- Compreendo você Tarso, em parte, mas compreendo! – Vlad lhe disse agachando, mas nem assim ficando na altura do morto vivo tão diminuto – Não vou lhe cobrar nada! Esse é mesmo um problema nosso e não foi para tal que lhe despertei!

- OS DEUSES SABEM LÁ QUE TORMENTOS ELA ESTÁ PASSANDO!!! – Luigi debatia-se no agarro de Galtran, como uma fera selvagem e indomada.

Instantaneamente o ar se condensou em certas áreas transformando-se em homens bronzeados, de trajes dos desertos, Djinns, gênios do ar; em seguida o chão elevou-se e surgiu um imenso maquinário mágico com formato humanóide, era um golem de ferro.

- O que está acontecendo aqui? Quem se revolta contra um professor? – a voz veio imperiosa.

Raschid, um Dao, gênio da terra, com forma de um homem bem musculoso de trajes árabes e com um cavanhaque ligado ao bigode demonstrando uma expressão séria e pétrea, surgiu vindo do nada. Ele era o zelador da Grande Academia Arcana.

- Não, zelador Raschid, é apenas um mal entendido! – Vladislav adiantou-se – Perdoe meu colega, não voltará a ocorrer!

- Como desejar, professor!

E todos os guardiões desapareceram instantaneamente com um estalar de dedos do zelador. Luigi sentou-se no banco de madeira magicamente macia, começando a derramar lágrimas compulsivas e loucas, por vezes engasgava-se no próprio desespero.

- Luigi, Tarso é capaz de ver muito além do que podemos! Ele quer que nós resolvamos nosso problema, ele sabe que podemos! Talvez se não fosse assim viveríamos entediados e sem experiências!

- Não é justo, Vladislav! Não estamos pedindo para ele matar alguns kobolds ou nos trazer um tesouro de uma masmorra abandonada! Mas sim resgatar nossa parceira Lenora! Nossa companheira! Nossa guerreira! Meu am… Droga!

Vladislav suspirou e sentou-se a seu lado direito enquanto Leon foi para o esquerdo. Tarso ficou aos pés de Luigi, com o crânio baixo.

- Meu caro, aposto que Tarso terá o prazer em nos ajudar chegar até ela! Mas não vou pedir que ele interfira em nossa vida!

- Vlad, o irmão dela… ele fez… ele estup… ele… - as lágrimas desciam de dentro das abas do chapéu.

- Entendo, Luigi, seu sofrimento! Assim como imagino o trauma de nossa companheira! Benthos pode ter exigido isso dela, mas também pode não o ter feito! Vamos, acalme-se, meu fraterno parceiro, temos uma elfa de espécie marítima para reaver!

Leon ergueu-se no mesmo instante.

- Vladislav está certo, Luigi, vamos!

Tarso fez breves gestos com as mãos invisíveis e materializou um copo d’água para que o bardo se acalmasse.

- Se vamos procurar por Benthos, teremos que ir até sua lendária cidadela submarina! – Vlad ponderou.

- E onde fica? – Leon indagou.

- Ora, meu alienado amigo… - Luigi limpou as lágrimas e se levantou tentando desviar dos pensamentos tão ruins que lhe assolavam -… ninguém conhecido no mundo seco parece ter ido à cidadela! Por séculos chegou a se duvidar que sequer existisse!

- Yikes! Odeio essas coisas de lendas! – Leon resmungou.

- Pois é, caro ladino! Estamos cegos nesta empreitada, porém temos uma pista! O reino arquipélago aonde os bárbaros que veneram Benthos vivem, Khubar, fica no Mar do Rei Dragão, assim chamado por acreditar-se que ele reside por aquela área! Como as correntes marítimas são de nível emano-centrionais ocasionados pelas variações referenciais das costas de camada sedimentar da espécie guant…

- Ah, Vlad! Já entendi, nos poupe desta erudição! – disse Leon balançando a cabeça para espantar a leve dor que começou a surgir – Já decidimos que vamos para Khubar então… Temos no grupo um mago lecionador da Grande Academia Arcana, o ladino mais procurado por todo o Reinado, mesmo que ele não se orgulhe muito disso, um ex-bardo imperial e um rei dos dragões lich! Será que é suficiente?

Todos sorriram.

- Hah! Leon, duvido que Tarso aceite enfrentar um outro dragão rei, poderia ter conseqüências catastróficas! – Vlad alegou segurando o próprio queixo enquanto o morto-vivo confirmava com o crânio. Luigi sentia uma raiva interior crescendo pelo pequeno, mesmo que o tenha ajudado tanto não podia perdoar aquela forma de agir – Precisamos de pelo menos um navio para viajar por Khubar, e um combatente até que Lenora nos reencontre!

Luigi então voltou a sorrir dando as costas para Tarso.

- Quanto ao barco acho que conheço um certo navio que poderemos usar caso sigamos para o sul de Hongari! – o bardo riu matreiro.

- Eu conheço um exímio combatente que há muito me aventurei, apesar de ser um tanto inconveniente em certos momentos! – Vladislav ponderou.

- Yikes! – Leon arregalou os olhos – Kobolds me mordam, Vlad! Você está falando do bárbaro Katabrok??? Meu sobrinho aloprado???

- Oras, Leon, ainda que ele seja um pouco atrapalhado não é tão ruim no manejo de uma arma!

- Ele é tão atrapalhado quanto meu falecido irmão! Ah, você que sabe!

Luigi interveio com seu sorriso matreiro.

- E o que me diz de um certo amigo seu, Vlad… Ouvi dizer que Tork, o troglodita anão, está na capital!

- Hmm… Lembrou bem, caro bardo, ele realmente veio visitar Petra! Bom, vou avisar na coordenação e pedir que o professor Thanatus me substitua temporariamente! Em seguida iremos procurá-los!

- É… Não bastou sermos inimigos de um dragão-rei, de um deus serpente e de uma naga… Agora vamos arrumar confusão com outro dragão-rei influente! – Leon suspirou espreguiçando e abraçando inconvenientemente os dois – Vambora, pessoal!

E assim começava mais uma grande aventura que ecoaria por todos os cantos de Arton, narrada por arautos errantes de intenções duvidosas.