sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Tsunami, o Deus das Tempestades Marinhas.


 A História dos Ancestrais

Yomi Shinkoumizu era uma belíssima jovem humana, nascida em uma família tradicional e respeitada do litoral tamuraniano. Sua família tinha como tradição que as filhas mais velhas deveriam casar-se com pretendentes escolhidos ainda quando crianças, enquanto que a filha mais nova deveria dedicar-se quase que totalmente à vida religiosa, tornando-se sacerdotisa do Grande Oceano para que este lançasse sua proteção espiritual sobre a família, raramente sendo obrigada a casar-se. Esse foi o destino de Yomi, e como mulher da sociedade de Tamu-ra ela teve de aceitar.

Passou, então, a viver junto com as outras Filhas do Mar, como eram chamadas as mulheres mais novas de cada família desta parte do litoral de Tamu-ra, dedicando-se à devoção ao Grande Oceano em seu Templo. Certo dia, enquanto fazia sua meditação em um grande penhasco, ela presenciou uma cena incrível: uma espécie de caranguejo de proporções gigantescas seguia ameaçador para a sua cidade! Então, algo ainda mais impressionante aconteceu: do mar, surgiu um dos lendários dragões da água de Tamu-ra, que se lançou em uma batalha contra o monstro. Yomi assistiu a luta tão hipnotizada que até perdeu a noção do tempo, só saindo desse transe vendo o dragão vencer apesar de muito ferido.

Movida em parte pela insensatez, e em parte pela curiosidade, a jovem desceu do penhasco e caminhou pela areia molhada até o dragão. Ele, percebendo que Yomi tentava ajudá-lo, usou-se de suas últimas energias para se transformar em um humanóide com traços élficos e  tamuranianos e permitiu que ela o levasse até o templo para que fosse curado.

Por uma semana, Yomi só se preocupou em cuidar do dragão, que assumira o nome de Yoh Hekura. Seus ferimentos se fecharam e formaram cicatrizes quase mágicas: uma pele avermelhada, reluzente como se fosse rubi. Neste espaço de tempo, quando recebia cuidados, nasceu por parte de ambos, Yomi e Yoh, o sentimento que permeia as maiores histórias: o amor. A família Shinkoumizu percebeu o fato e decidiu que Yomi poderia se casar, dividindo sua vida entre a devoção ao Grande Oceano e os cuidados oferecidos a Hekura, então tido como um herói de imensurável valor.

Influenciado por sua paixão, que cega não só humanos, mas também dragões, Yoh pensou fortemente em abraçar a vida dos mortais e ter Yomi para si - e assim o fez. Mais tarde, contudo, ele acabou por se arrepender, pois temia que seus inimigos pudessem encontrá-lo, então arriscando causar mal a sua amada e a seus queridos.

Por causa disso, ele fugiu uma noite após ter casado. Sumiu no mar, deixando no mundo seco uma lembrança para Yomi: um filho. A família Shinkoumizu foi escandalizada, tendo deixado se levar por um estranho que desonrara sua filha, engravidando-a. Mas eles nada podiam fazer, pois o casamento fora idéia deles, e temiam o que aconteceria com Yomi caso ela abortasse o bebê. Assim, eles deixaram que ela seguisse sua vida como clériga do Grande Oceano, dedicando-se exclusivamente a isso.

Yomi sempre quis saber, mas não teve tempo de perguntar sobre como era o passado de Yoh. A resposta - que ela nunca teve - é que Yoh, na verdade, era apenas um dragão jovem, imaturo, e já tinha sofrido algumas derrotas contra as criaturas dos abismos marinhos, tendo com isso manchado sua reputação perante seus irmãos.
Assim, ele buscou alguma forma de provar sua força. Foi quando ficou sabendo que um oni (demônio) havia conseguido se transportar de Sora para Arton, desejoso de fixar domínio no Império de Jade. Yoh pôs-se a perseguir a criatura, e descobriu que ela rumava para uma comunidade costeira. Para evitar um desastre, ele se deslocou para lá. Conseguiu impedir o ataque da criatura, que se assemelhava com uma versão demoníaca de um caranguejo. Ele não era, por sorte de Yoh, um dos onis mais poderosos, mas, por ser ainda um dragão jovem, Hekura acabou por sofrer graves ferimentos, aceitando a ajuda da bondosa clériga para se curar de suas feridas profundas.

 O Filho do Mar

Tsunami é um dentre os poucos mortais que ascenderam ao posto de divindade. Isso quer dizer que ele nem sempre foi chamado de Tsunami: quando mortal seu nome era Aoshi Shinkoumizu, tido como um meio-elfo de Tamu-ra. Nascido no ano de 1320 viveu em uma pequena vila no litoral da ilha e, como parte da população litorânea, principalmente por ser filho de uma sacerdotisa, foi treinado para ser um clérigo do Grande Oceano.

Uma história surpreendeu Aoshi quando chegou seu aniversário de quinze anos: sua mãe finalmente lhe contou que ele era filho de um dos raros dragões da água de Tamu-ra. Contudo, pelo fato de ele quase ter morrido afogado certas vezes, Yomi acreditava que pouco do sangue de dragão corria em suas veias. Como clériga, ela pensava que, talvez por ter abandonado sua mulher, Lin-Wu tivesse - de certa forma - castigado Yoh Hekura, impedindo que seu filho trouxesse seu sangue, devido à desonra que ele cometera.

Mantendo em segredo esse fato, por temer qualquer coisa que acontecesse, tanto mãe quanto filho continuaram suas vidas no templo. Aoshi, entretanto, agora treinava cada dia mais, determinado a adquirir poder suficiente para que tanto Lin-Wu, quanto seu pai e o Grande Oceano pudessem percebê-lo.

Ao completar dezoito anos, Aoshi foi ordenado clérigo do Grande Oceano e se sentiu fortemente atraído pelo mar, como se o grande deus estendesse seus braços para ele. Acreditando ser um sinal que nascia em seu espírito, ele despediu-se de sua mãe dizendo que seu pai lhe chamava e partiu em um barco pela costa tamuraniana em busca dele, levando consigo apenas sua fé, que compartilhava com cada comunidade litorânea que encontrasse. Após um ano de busca, ele encontrou um dragão, mas de maneira muito trágica.

Aoshi estava numa pequena praia, perto de um porto, investigando as aparições de um suposto monstro que atacava os barcos à noite, quando ouviu algo parecido como um rugido vindo das águas próximas. Voltando, ele encontrou o que deveria ser o monstro, um kraken, e lutando com a criatura havia um dragão da água, belíssimo e possuidor de diversas cicatrizes cor de rubi, como sua mãe havia descrito o grande Hekura.

Aoshi ficou paralisado frente àquela batalha de titãs, só conseguindo mover-se quando a luta terminou com dragão vitorioso, mas outra vez seriamente machucado. Caminhando até o dragão estirado na praia, ele pode confirmar que este era seu pai. Ao se aproximar da grande cabeça reptiliana, caída nas areias molhadas da praia, Aoshi ouviu seu próprio nome ser sussurrado, mas teve a alegria de encontrar o pai transformada em tristeza. O dragão disse que não lhe restaria muito tempo, mas demonstrou humildade ao agradecer a Lin-Wu e ao Grande Oceano por viver seus últimos momentos com o filho numa situação parecida com a de quando encontrou a única mulher que amara neste mundo: Yomi. Aoshi orou ao Grande Oceano para que curasse seu pai, mas Yoh o alertou, dizendo que as águas salgadas do mar já adentravam suas feridas, e que assim o Grande Oceano o levava, não por crueldade, mas por julgar que a vida de Hekura deveria continuar na força do jovem Shinkoumizu.

Assim, quando chegava a hora de partir, seu pai falou algumas palavras que Aoshi não entendia, e um pergaminho se formou nas mãos do rapaz. Ouviu suas últimas palavras: "Cuida-te, e usa o que te dou para a Honra, a Proteção e o Bem dos teus". Após isso, a maré subiu bravamente, quase invadindo a comunidade costeira. Aoshi esforçou-se para não se afogar, mas não quis sair do lado do corpo do pai. De nada adiantou: momentos depois a maré baixou tão repentinamente quanto subiu, e o corpo de Yoh Hekura já não estava mais no mundo seco.

Aoshi só entendeu o presente que seu pai lhe oferecera quando proferiu o que estava no pergaminho: do mar, surgiu uma armadura parecida com a de um samurai, só que numa mistura de cores azul-marinho e verde-musgo, e junto com ela um belíssimo tridente feito de madrepérola. O clérigo colocou a estranha armadura e armou-se com o tridente, a mesma arma que ele havia escolhido quando fora consagrado clérigo. Então, por paixão e por instinto, se atirou ao mar. Não temia morrer por falta de ar e pelo peso da armadura, e estava certo por não temer: a armadura era leve dentro d'água, e também permitia que ele respirasse como se o oceano fosse feito de ar, possivelmente efeito dos feitiços usados nela, fazendo até mesmo que ficasse com aquelas cores.

Com o fim trágico de sua busca, Aoshi retornou para casa, e antes de deixar o local onde estava o corpo de seu pai, fez um juramento: proteger o litoral de Tamu-ra assim como Yoh Hekura o fizera. E assim foi, com ajuda principalmente de seu tridente, que, depois, ele descobrira ter algum controle sobre as águas, habilidade esta que após algum tempo o próprio Aoshi conquistara, aumentando o seu domínio ainda mais. Com todo esse poder, ganhou a alcunha de Samurai do Oceano, sendo que a maioria de suas missões era devotada à proteção de vilas e cidades de tempestades marinhas, pois, com o passar de alguns anos, nasceu nele
a habilidade de "ouvir" o mar avisando sobre a próxima tempestade.

Certo dia, Aoshi ouviu das ondas que um importante porto sofreria com a força de uma tempestade. Imediatamente, lançou-se ao mar, num "vôo" pelas águas do litoral até alcançar o porto. Porém, quando chegou, ele viu algo que lhe causou grande temor: tsunami, a tempestade de proporções titânicas, capaz de arrancar uma cidade inteira do chão!

Mesmo com medo no coração, Aoshi tinha que manter seu juramento, tentando salvar todos que pudesse. Vendo que seria muito difícil, ele resolveu usar seus poderes sagrados para tentar dominar a tempestade. Para uma tarefa quase impossível, pode-se dizer que parcialmente ele obteve sucesso. O Samurai do Oceano conseguiu desviar a tempestade da comunidade, só destruindo o porto. Porém, em certo momento, devido ao demasiado esforço, seu corpo foi tomado por grande dor, e, desmaiado, Aoshi acabou deixando-se levar pela água. No dia seguinte, ninguém encontrou seu corpo, pois ele, juntamente com a morte de tsunami, havia sido arrastado para o fundo do mar. Era um túmulo apropriado para o Samurai do Oceano.

 A Missão

Aoshi acordou aquecido pelo sol num campo verdejante, com centenas de cerejeiras, onde muitos dos seus iguais caminhavam tranqüilos e comiam felizes uns bolinhos de arroz. Sem se levantar, apoiado nos cotovelos, Aoshi admirou o local. Estava vestido com roupas comuns, como os outros que ali estavam, uns sentados sob as cerejeiras, outros colhendo flores, outros conversando. Uma linda jovem tamuraniana, vestida não como o povo do litoral, mas como as mulheres do centro da ilha, se aproximou. O jovem a viu chegando e sentia ao mesmo tempo confuso e tranqüilo naquele local onde ele nunca estivera. A moça estendera seus braços até a boca de Aoshi, fazendo-o beber um chá que trazia nas mãos. Ele se sentiu vivo, e então ela lhe explicou que, em verdade, ele havia morrido.

Sora era o nome do local. Como tamuraniano, ele sabia que aquele era o Império de Lin-Wu, onde descansam os tamuranianos até o seu retorno para o Império de Jade. Entretanto, Aoshi não entendia o porquê de ele estar ali. Como todo tamuraniano, ele respeitava Lin-Wu e lhe doava parte de sua fé. Mas sua vida havia sido dedicada ao Grande Oceano, e era o Reino das Águas que ele devia ter alcançado. A jovem mulher não soube ajudá-lo quanto a isso, mas lhe apontou a Fortaleza Takayama, no alto de uma montanha distante onde vive o próprio Lin-Wu, que poderia responder sua dúvida.

Assim, abandonando os campos de sakura, Aoshi rumou até a fortaleza. Parecia uma torre, ao longe. Era uma construção belíssima, mais bela do que todas as de Tamu-ra. Aoshi sentiu que Lin-Wu o receberia e por isso escalou a montanha. Após um dia, quando já era noite, ele finalmente chegou às portas de Takayama. Ferido e cansado, mas ainda com determinação, ele avançou. Por não ter um espírito maligno, os monges que guardavam suas portas permitiram sua passagem. Então ele iria ver o grande Lin-Wu!

Adentrou a fortaleza, guiado por um dos monges. Ao alcançar às portas do salão onde Lin-Wu estaria, outros monges o interromperam. Eles advertiram Aoshi, dizendo que quem se apresenta ao grande Lin-Wu não deve esconder seus segredos. A alma de todo tamuraniano deve ser transparente para o Deus Dragão. Assim, as roupas de Aoshi foram retiradas e, nu, ele entrou no grande salão.

Lá, tudo estava escuro. Por uma das janelas, a luz da lua entrava tímida. Aoshi não conseguiu distinguir muito do local, mas onde pairava a luz da lua, lá estava um homem, vestido em uma majestosa armadura vermelha, o Samurai de Sangue, o próprio Lin-Wu. Então, em reverência, Aoshi apresentou suas dúvidas e o deus lhe respondeu que o Grande Oceano já havia demonstrado interesse em ter para si a alma do jovem, assim como ele próprio, Lin-Wu, também havia demonstrado.

Aoshi, então, entendeu que os deuses tinham um plano para ele. Foi quando Lin-Wu disse que, para saber mais, ele deveria provar ser forte e honrado não só como foi em Tamu-ra, mas também no Reino dos Deuses. Como teste, ele deveria derrotar o mais poderoso samurai da história de Sora.

Aceitando o desafio, Aoshi pôs-se a investigar sobre seu inimigo. Descobriu se tratar de um grande paladino com espírito de dragão, que governava e protegia toda uma cidade em Sora. Sabendo que não tinha condições de enfrentá-lo agora, Aoshi partiu para treinar.

Então, só depois de dez anos, Aoshi pensou-se pronto. Viajou para uma montanha gelada, de onde se podia ver distante a Fortaleza Takayama, e gritou o desafio ao samurai-dragão. Assim, veio seu oponente, e eles lutaram. Como determinara Lin-Wu, os combatentes não usariam nem armaduras nem roupas, para que enxergassem que ali o maior inimigo era o frio da montanha e que eles eram apenas competidores. Como armas, usariam aquelas em que se julgassem mais peritos. Assim, o tridente enfrentou a katana.

A luta foi dura para ambos os lados e durou três dias. Aoshi vencia o samurai. Então, para cessar a luta-cerimônia, apareceu o próprio Lin-Wu. Sem nada dizer, Lin-Wu ergueu as mãos. As nuvens abaixo da montanha, pois esta era altíssima, trovejaram e se afastaram em círculo, tendo como centro o pico onde estavam Lin-Wu, Aoshi e o samurai derrotado, mas ainda vivo. Aoshi reparou que as nuvens que se afastaram revelaram logo abaixo deles águas que se mexiam como as do mar.  Ele sabia que era impossível haver mar, ali, milhares de metros acima da terra, por isso, entendeu que na verdade se tratava de um portal para Pelágia.

Mas antes que Aoshi entrasse no portal, Lin-Wu lhe ofereceu o posto de Samurai Guardião, um grupo dos mais poderosos guerreiros de Lin-Wu. Se ali não fosse o Samurai do Oceano, teria aceitado a oferta imediatamente. Porém, ele sentiu correr nas suas veias não sangue, mas água do mar. Por isso, no seu íntimo ele sabia que deveria recusar a proposta. Lin-Wu o  sdvertiu que ele teria de fazer uma escolha, sendo que, caso recusasse, todos os registros sobre Aoshi na história de Sora seriam esquecidos. Assim, com uma leve tristeza, ele disse não.

Nesse momento, como se tivesse nascido de seus poros, surgiu sobre seu corpo a armadura que Yoh Hekura lhe dera. O tridente que carregava em sua mão também não era o que ele lutara, mas o belo tridente de madrepérola. Então, ele despencou do pico em direção ao portal. Antes que tocasse as "águas do mar", ele deixou formar em seu rosto um breve sorriso. Seria esquecido em Sora, mas o que ele mais desejava acontecia. Atravessou o portal.

 A Fúria do Oceano

Aoshi sentia a água quente do oceano tocar seu corpo. Respirava-a com se fosse ar. Havia sorrido em Sora porque não desejava ser um Samurai Guardião de Lin-Wu, mas sim, o Samurai do Oceano. Se ele tivesse aceitado, não seria feliz, e nem teria trazido felicidade ao seu oponente, o samurai-dragão, que teria perdido seu posto e todo o poder sobre a sua cidade protegida. Com a escolha de Aoshi, contudo, não haveria a derrota nem a desonra, porque era como se ele próprio não tivesse pisado em Sora, pois, como disse Lin-Wu, seria esquecido.

Em Pelágia, o Reino do Grande Oceano, passou a procurar o Castelo de Coral, onde ele sabia morar o seu deus. Assim que o achou, encontrou o que esperava: centenas de selakos e dezenas de dragões marinhos protegiam o castelo, impedindo que mesmo o mais devotado servo se aproximasse. Sabendo que não sairia de lá com vida, recuou, e mais uma vez se dedicou ao treino de combates. O que ele havia treinado em Sora o havia ajudado, mas ele sabia que agora as lutas aconteceriam sob as águas e que lutaria não com tamuranianos, mas com seres bestiais dos mares.

Assim, dois anos foram necessários para os treinamentos. Outra vez confiante Aoshi partiu para a batalha, e em algumas horas ele já havia dizimado parte dos selakos e alcançado os dragões marinhos. Por um acordo, permitiram que Aoshi passasse caso ele derrotasse os dois mais fortes dragões. Foram necessários quatro dias para que se findasse a luta, mas o esforço lhe foi recompensado com a passagem para ver o Grande Oceano.

Chegando à presença de seu deus, ele lhe perguntou por que enviara uma tsunami para matá-lo e por que permitira que fosse enviado para Sora, ao invés de trazê-lo para Pelágia. O deus lhe falou "Venho lhe observando a muito tempo mortal Aoshi Shinkoumizu, por muitos anos você reservou seu espírito para mim, protegeu seu povo contra as mais duras tempestades enviadas e até chegou a desafiar algumas de minhas punições. Mas mesmo assim eu percebi um grande potencial em você. Por sua dedicação e poder, era meu desejo presenteá-lo,
fazê-lo um dos meus generais como os dragões que você acaba de enfrentar e vários de meus anjos-do-mar, uma grande honra para qualquer servo meu.

Entretanto, temia que seu corpo não suportasse o poder e a mudança e morresse. Por isso, enviei a onda tsunami, milhares de vezes menos poderosa do que eu, para medir sua força. E apenas com seu toque, você morrera. Fiz com que treinasse em Sora, por pensar que lá você teria mais êxito. E, de fato, todo o treinamento o fez mais forte do que eu imaginei! Pois agora lhe apresento duas propostas, Aoshi: torne-se meu general, um dos mais poderosos de todo meu reino e faça parte de minha força, mas assim, terá de abandonar não só sua humanidade, mas também sua alma; ou então, farei de você um deus menor, seus poderes nunca alcançarão os meus, mas você manterá consigo parte de sua existência... O que você elege para si, Samurai do Oceano?".

Aoshi esboçou um leve sorriso, e o Grande Oceano percebeu seu desejo: ele queria continuar a proteger o povo das tempestades marinhas, pelo juramento que fizera a seu pai. Então o Grande Oceano lhe tocou com seu tridente o ombro de Aoshi, que percebeu que seu corpo estava totalmente curado, sua armadura e tridente reluziam com grande poder, e ele sentia a força de seu deus em seu próprio corpo.

Depois disso, tendo Aoshi escolhido proteger seu povo, o Grande Oceano abriu um portal no meio do salão para que ele atravessasse e alcançasse Arton. Disse "Agora o fiz um deus, Aoshi. Que seu povo clame com honra o seu nome, e assim também se lembre do meu".

Aoshi sorriu e, numa reverência, disse "Então não serei mais Aoshi, Senhor, embora tenha sido honrado ser um Shinkoumizu e um Hekura. Mas o que me matou era poderoso, e agora eu sou mais poderoso do que ele. Quero como meu nome Tsunami, que é uma parcela de vosso poder, como agora eu sou". Então, entrou no portal de volta para Tamu-ra.

Acordou em seu corpo, que não apresentava danos, embaixo d'água. Sentiu nas águas a diferença de estar em Pelágia ou em Arton. Nadou e alcançou a superfície. Apresentou-se ao povo do litoral, e voltou a protegê-lo, fazendo com que gradualmente surgisse um templo em seu nome. Após isso, sua fama cresceu alcançando até mesmo outras ilhas aonde o povo de Tamu-ra chegara. A paz voltou a reinar no litoral, e Tsunami doara a maior parte de seu poder para uma mulher, sua sumo-sacerdotisa chamada Hikaru Hogoumi, e para seu paladino, o elfo estrangeiro que adotara o nome de Souiji Ushio.

Os tempos de proteção se estenderam até que, então, ela chegou: a Tormenta. Causou mal e muita destruição, deixando toda Tamu-ra em estado de pânico. Tsunami, que nutria amizade e respeito pelo Dragão-Imperador Tekametsu, usou suas forças para proteger e ajudar o povo do litoral. Conseguiu transportar magicamente muitos de seus seguidores e devotos para o litoral do continente, nas Montanhas Sanguinárias. Após alguns dias, eles alcançariam os reinos ao sul, como Hongari, o reino dos pequeninos, mas, apesar de todos os esforços, ainda assim muitos morreram, sendo que a maior perda para Tsunami foi a de Souiji, que morreu nas mãos dos demônios da Tormenta, escoltando um grupo de pessoas para o templo.

 Tsunami

A ordem de Tsunami até hoje busca se reerguer e está conseguindo com relativo sucesso. Os templos se encontram principalmente em Hongari, Petrynia, Tapista e Tyrondir, por serem todos lugares com altos índices de tempestades, sendo que em Hongari está o primeiro templo erguido no continente. Apesar disso, podem ser encontrados seguidores em Hershey, Collen e Khubar, por serem ilhas.

Tsunami pode ser adorado por qualquer raça, sendo que há clérigos até mesmo entre minotauros e anões que vivem no litoral e que são marinheiros. Ele também é adorado por algumas tribos bárbaras que sabem construir barcos.

O deus começou a conquistar seguidores no continente de uma maneira um tanto simples: ele os salvava de uma tempestade e pouco a pouco sua popularidade aumentava. Foi dessa maneira, inclusive, que ele entrou em contato com os minotauros, após salvar uma pequena frota de barcos que carregavam algumas das esposas do Princeps Aurakas pelo Rio dos Deuses.
 
Atualmente seus maiores templos encontram-se em Malpetrim, Calacala e Molok, sendo que é surpreendente essa presença em Calacala, já que outras religiões são proibidas no reino de Tapista. Muitos minotauros discordam da permissão de Tsunami em seu reino, mas outros o vêem como um filho de Jor (como os minotauros chamam o Grande Oceano). Existem outros templos menores, como o de Hongari, que apesar de ser o primeiro no continente, não é um dos maiores. Por ordem do próprio Tsunami, um pequeno grupo de clérigos tem residência na terra dos pequeninos, para proteger o bom povo que o acolheu, quando ele e seus seguidores estavam em dificuldades.

O maior de seus templos e a sede da ordem atualmente fica em Malpetrim, onde seus clérigos costumam ser de grande utilidade, principalmente em expedições marítimas. Nesse templo também vivem muitos clérigos em treinamento e a sumo-sacerdotisa de Tsunami, quando ela não está em peregrinação, espalhando o culto a seu deus.

Recentemente, Tsunami anunciou sua escolha para um novo paladino, o que surpreendeu a ordem por ele se um jovem khubariano de nome Kai. Tsunami teria conhecido Kai quando visitara as ilhas de Khubar, a fim de conhecer seu povo. Essa escolha não agradou muito os clérigos mais antigos, pois eles acreditavam que um tamuraniano é que deveria ser o escolhido, mas a maior parte da ordem acredita e confia na escolha de seu deus.

Motivações: salvar e proteger cidades inocentes das tempestades e maremotos, além das bestas marinhas. Pelo poder divino, ele pode controlar as águas do mar, enfraquecendo ou fortalecendo as tempestades, dependendo do necessário. Ele só quer evitar o sofrimento das pessoas.

Outros nomes: os poucos anões que o conhecem o chamaram de Maelstrom; ficou conhecido como A Grande Onda entre os bárbaros; os tyrondinos o nomearam Letivaan, que vem do Lalkar "Mestre das Águas"; Kehannu entre os khubarianos, que, por sua religião, acreditam ser ele um meio-dragão filho de Benthos com uma elfa-do-mar.

Avatar: por ser um deus menor, Tsunami não pode assumir uma forma avatar, mas ele pode alterar sua aparência para melhor interagir com seus seguidores. Normalmente, ele aparece como um samurai com a sua armadura azul e verde e empunhando seu tridente de pérola. Na única vez que usou uma forma anã, ele tinha uma barba acinzentada, uma armadura parecida com coral e com uma lança ao invés do tridente adaptada a seu tamanho. Ao tratar com minotauros, sabendo de seus preconceitos religiosos, usou a forma de um minotauro com pêlos e chifres acinzentados, armadura parecida com coral e tridente de pérola. Para os bárbaros, surgiu como um grande bárbaro de pele morena e cabelos ruivos, usando apenas uma tanga e um arpão. Por fim, para os khubarianos, se parece com um elfo-do-mar, só que com orelhas menores e um tom de pele não tão azulado, também carregando o tridente de pérola. Quando está descansando em um de seus templos, Tsunami usa um quimono azul com o símbolo da sua ordem nas costas, e evita carregar seu tridente, às vezes sendo confundido com apenas mais um de seus clérigos.

Símbolo: para quase todas as raças, um medalhão com uma onda; para anões, ao invés da onda, um redemoinho.

Relações: Tsunami é um deus pacífico em relação aos outros deuses. Só desentende-se de vez em quando com o Grande Oceano, por julgar falta de punições ou haver punições em excesso. O único deus que odeia as ações de Tsunami é o pérfido Mégaros, que se alimenta das tragédias e catástrofes de Arton. Ele julga que Tsunami teria retirado parte de seu poder e domínio, desprezando-o também pelo simples fato de ele achar que um mortal não deveria brincar de deus. Por isso, Tsunami está sempre preparado para qualquer cilada que o seu inimigo possa armar.

 Clérigos de Tsunami


Qualquer membro de raça que conheça a navegação ou que viva no litoral pode tornar-se clérigo de Tsunami, sendo a raça humana a mais comum. É incomum para um anão ou minotauro tornar-se clérigo, e muito difícil para goblinóides, já que - parece - Tsunami não aprecia essa raça bestial, devido às ações da Aliança Negra. Estranhamente, existem poucos clérigos entre as criaturas aquáticas, pois a maioria das tempestades ocorre acima d'água, mas nada os impede de se tornarem clérigos deste deus.

É comum que a maioria dos clérigos não defenda o povo diretamente contra a tempestade, como seu deus já fizera. Isso fica reservado aos mais poderosos. Na maioria das vezes, eles percebem a chegada das tempestades e avisam à população. Essa premonição em relação a tempestades e maremotos pode ocorrer devido a um conhecimento profundo do comportamento do mar por parte do clérigo ou de forma sobrenatural, através de visões, bolas de cristal ou jogos de conchas e búzios. Também é comum que esses clérigos sejam contratados ou convidados para irem em viagens marítimas, trazendo proteção ao navio.


Isabela Farrobinha ONDA
 Obrigações e Restrições: a única arma permitida para estes clérigos é o tridente. O clérigo não pode deixar por vontade própria, que alguém se machuque por uma tempestade; se ocorrer por fatalidade, o clérigo tem seus poderes cancelados até recuperá-los de alguma forma. Os clérigos também são restritos a se manterem no litoral, podendo deixá-lo apenas em caso de força maior, ou para partir em viagens marítimas.

Poderes Garantidos:  Bônus de +4 em Sobrevivência relacionado ao clima, Domínios: Água, Conhecimento e Proteção. 



Autor:  Galrasia

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