quarta-feira, 10 de agosto de 2011

EM BUSCA DE LENORA - Introdução

Também estou preocupado com Lenora!  Ela não estava na lagoa da Vila Élfica, onde costumava ficar! Os elfos dizem que ela recebeu notícias de casa e sumiu!"
- Luigi Sortudo quando a elfa do mar desapareceu 


APRESENTAÇÃO

Como a série de Holy avenger abriu uma brecha para diversas aventuras, me interessei em escrever um conto que narrasse o resgate da elfa Lenora por seu grupo. E sendo convidado a postar meus contos por aqui, este é o primeiro de vários romances onlines fanfic que faço para o cenário.
Grande parte da aventura se passará pelo lado leste do Reinado, com reinos como bielefield, Hongari e Khubar. Inicialmente era um RPG que eu mestrava, mas estou transcrevendo em narrativa, a fim de divertir os leitores.
Postarei contos e romances semanalmente, mantenham-se atentos!

Boa leitura,
Aventureiros! YIEKES!!!!


Autor: Douglas "Antonywillians" Magalhães Almeida
Data de início: 10/12/2009

PRÓLOGO
ENCONTRO DOS HERÓIS

Cansado de aguardar, e ansioso pelo encontro, Leon Galtran jogou-se em um banco de madeira que se moldava magicamente tornando-se macio e almofadado. Seus olhos estavam inchados pelas noites sem sono que tivera desde quando retornava das montanhas de Teldiskan, acompanhado de seu companheiro Luigi Sortudo. Sentia o coração bater acelerado como raramente ocorrera em sua vida, mal podia acreditar que finalmente encontraram uma pista… Uma aventura.

Haviam se passado longos dois anos desde que os três sobreviventes do antigo grupo haviam decidido aventurar-se por Arton para encontrar Lenora, a belíssima elfa-do-mar guerreira, e trazer Karin de volta à vida, sua amada esposa há muito assassinada de forma desumana. Sem dúvidas, não era a solução para todos os problemas que cada um tinha ali, contudo, se a pista estivesse correta, estavam dando o primeiro passo para libertarem-se de seus desesperos.

- Heh! Leon, você parece uma criança aflita! – Luigi, o bardo meio-elfo, comentou ajeitando o chapéu emplumado de abas longas que lhe ocultavam os olhos misteriosos, permitindo desvendar apenas seu eterno sorriso matreiro. Escorou-se nas barras de ferro que os separavam do aviário das fênix enquanto dedilhava as cordas de seu bandolim feito de madeira de carvalho antigo.

Leon ignorou o comentário e desviou sua inquietude para algum ponto do infinito acima, mirando seus olhos cansados nos seis sóis coloridos que repousavam no céu alarajando da Grande Academia Arcana. Estavam no local que era o sonho de todos os conjuradores de Arton, no maior centro acadêmico especializado em feitiços, dirigido pelo Mestre Máximo da Magia, Talude, um velho arquimago que conversava pessoalmente com a própria deusa criadora de tudo que é mágico, aquele lugar era responsável por criar a maioria dos mais poderosos e admirados conjuradores do mundo, lugar onde a fantasia não deixava a desejar, com uma vasta planície verdejante tomada por árvores brilhantes e pequenos bosques repletos de vida, além de um rio e lago cristalinos recentemente criados pelo poder do diretor.

Múltiplas formações de arco-íris pintavam os horizontes em todas as direções, ligando algumas nuvens às outras, como pontes, as quais eram remodeladas, pelos ventos fortes, em formas do rosto de quem as observava ou em animais, movimentando-se como que vivos. Os seis sóis, cada qual de uma cor, estavam situados em um ponto cardeal: vermelho ao norte, azul-claro ao leste, verde-azulado ao sul, verde ao oeste, um negro que nunca parecia ir muito além de próximo à linha do horizonte, movendo-se na vertical e como que nunca fosse se pôr, e por fim um sol branco que ficava no meio do céu emanando uma forte luz sobre aquelas terras. Os seis sóis pintavam a abóbada celeste como se fossem artistas experientes e criativos. Por vezes avistava-se revoada de pégasus ou mesmo gansos de cauda cintilante.

No centro da planície era encontrada uma colina onde estavam dispostos oito prédios, torres e palácios magníficos que pareciam baseados diretamente na arte arquitetônica dos povos do deserto e dos califas, com abóbodas arredondadas e muitos toldos coloridos pelos vastos corredores. Não raramente, também era possível encontrar as centenas de estátuas da deusa da magia, Wynna, patrona daquela escola de magos. O próprio Leon via diante de si uma fonte com a bela imagem da entidade divina personificada em uma linda mulher de cabelos longos espalhados ao ar, confundindo a uma aura de magia, trajando apenas tiras de couro que pouco se esforçavam para lhe ocultar a nudez do corpo esbelto, porém o mais magnífico era a água cintilante com carpas vermelhas e vivas que jorravam de suas mãos erguidas. Os peixes nadavam um pouco na fonte até desaparecerem magicamente.

O ladino e o bardo estavam aguardando na parte do campus reservada como zoológico de criaturas mágicas. Luigi tocava uma canção com seu bandolim enquanto admirava as fênix voando dentro do aviário, piando em uma canção jamais emitida por outras aves, capazes de encantar qualquer assistência na maior sorte de gosto musical… Luigi as admirava por esta habilidade incrível, e muitos bardos sonhavam estudá-las para desenvolver a mais bela e encantadora das melodias. Passado algum tempo, algumas queimavam sob brasas impiedosas, virando cinzas de onde aparecia um ovo rubro que o bardo se interessou em espiar sob a sombra de uma das muitas árvores no local, inspirando-se para criar um cântico que fosse capaz de descrever a beleza daquela morte das aves.

- Por obséquio, venho a solicitar o perdão de vocês, meus caros companheiros! Estava lecionando uma matéria deveras complexa sobre teorias de transfusão óssea regular em batráquios reanimados no curso de extensão deste semestre! – a voz calma, madura, por vezes fria, direta e cheia de erudição os atingiu.

- Não desejávamos atrapalhar seus afazeres necromânticos tão cheios de energia positiva, caro Vlad! – Luigi riu pendurando o bandolim no ombro enquanto se aproximava do mago lhe apertando a mão.

O grupo enfim se reunira, ao menos os membros que sobreviveram após tanto tempo de aventuras e desventuras. Vladislav Tpish, o membro mais velho do grupo, era o necromante de cabelo engomado, bem cortado e penteado, trajando um manto longo e roxo-escuro com alguns bordados em formato de runas, com um cinto de algibeiras para ingredientes que pendurava no ombro esquerdo e entrava pelo flanco direito da sua longa capa, também trazia em sua mão um cajado com entalhe no extremo superior no formato de uma cabeça em ouro de dragão. Como sempre, a expressão do mago era dura, séria, quando não severa, com escassos sorrisos, de sobrancelhas curvas examinando a tudo com academicidade gélida.

Leon Galtran era o ladino do grupo de aventureiros, homem que há muito perdera seu sorriso também, entregando-se a uma vida de lamúrias após o falecimento da sua esposa graças a seu sobrenome maldito e sua infâmia como o criminoso mais procurado de todo o Reinado. Seu cabelo castanho-claro agora estava desengonçado e caído por toda a face de barba por-fazer, sem contar sua roupa de aventureiro toda amarrotada. Os olhos estavam marcados por depressões profundas às quais mergulhava esporadicamente. Atualmente apenas as aventuras, seu filho Sandro, que estava em uma vida pacifica e feliz com a esposa que encontrara, e seus dois netos, Kaio e Karina, lhe eram capazes de atribuir-lhe graça e alegria.

Luigi também perdera muito naqueles anos, seu sorriso matreiro podia enganar a muitos com uma falsa alegria, pois a verdade insana em seus olhos era obscurecida na penumbra das abas do seu chapéu, e os deuses queiram que jamais seja revelada novamente.

O mago não veio sozinho, ao seu lado estava uma graciosa jovem de traços similares aos seus, usando uma capa negra e mágica, com caveiras que se moviam sozinhas aparecendo e desaparecendo aleatoriamente, sobre uma túnica branca com mangas indo até seus pulsos, e trazia livros sob o braço assim como uma bolsa de couro presa com uma tira transversal ao seu dorso. Era a filha de Vlad, Petra Tpish, amaldiçoada com a doença da disosmia por um inimigo do mago, que lhe anulara o olfato e paladar tão necessários para concretizar seu sonho hoje falido: se tornar uma cozinheira da casa imperial. Ainda vinha acompanhada de um pequeno e, aparentemente, inofensivo servo morto-vivo. Era Tarso, um crânio que levitava vestindo uma boina e uma roupa com mangas flutuantes, o serviçal carregava dezenas de cadernos e pergaminhos de Vladislav. Petra sorriu para os dois homens amigos de seu pai que conhecia desde que nascera.

Devolveram o cumprimento de mesma maneira.

Atrás deles vinha um elfo alto, bem constituído, usando um cachecol de extremidades caídas em cada ombro. Seus olhos eram diferentes, com o globo totalmente negro e a pupila branca. Seus cabelos caíam pelas costas, longos e lisos, mas pareciam a feder a tequila como Luigi observou em um sussurro para Leon, e logo perceberam que era o ex- mordomo da família Tpish de Petra, Klauskinsk (ou só Klaus). Ele guiava dois meninos e uma garota com idades próximas aos 8 anos. Enfim cumprimentaram-se solenemente.

- Novos filhos, Vlad? – Luigi sorriu dando um lenço para as crianças que espirravam copiosamente.

Vladislav foi pego de surpresa e ia começar a falar quando foi interrompido pelo único menino que não espirrava.

- Eu? Rarr rarr rarr! Nunca, mamíferos são nojentos com esses pêlos! Hunc! 

Petra repreendeu-o com um olhar censurador.

- Rolph!!! Já falei para não ficar puxando ranho!

O pequeno ficou emburrado e sussurrou.

- Tah mãe!

Leon e Luigi riram compreendendo. Há dois anos Petra havia conhecido uma misteriosa moça que lhe presenteara com cinco ovos de trogloditas, os quais crescem aos seus cuidados como se fossem filhos. Eram Rolph, Troggu, Drake, Evy e Offelis.

Vladislav sorriu fazendo cafuné na filha.

- Eles tiveram aula de metamorfose mágica ainda há pouco e acabaram errando no processo gestual de Gwyn, então conseguiram se transformar em humanos, mas ficaram com alergia à transformação! Próprio do efeito metanomifritz!

Nem o bardo nem o ladino compreenderam muito, mas foi suficiente.

- Então, companheiros de campanhas enlevantes, o que me legam para tal digna presença? Pela urgência da diligência em que enviaram Tarso à procura de minha pessoa, me indago se não tens grandes notícias em arroubo!

- Mãe, o vovô ta xingando os tios? – Offelia perguntou em meio a um espirro.

Petra sorriu preferindo não responder.

- Vlad, será que podíamos ficar a sós? – Leon indagou tornando sua expressão mais séria.

- Deixe que eu levo os pupilos para passear, mestre Valdislav! – disse Klaus curvando-se como se ainda se sentisse mordomo do necromante.

- Agradeço, meu caro! O faça por obséquio, deixe os pequenos voltarem ao normal sozinhos, só assim um mago aprende a acertar a magia! Petra, os acompanhe até que o intervalo das aulas acabe! – a jovem assentiu com um sorriso meigo - E Tarso venha comigo, por favor!

~

Logo os três aventureiros caminhavam sozinhos por entre os cativeiros dos animais mágicos que rugiam para eles, como a quimera imensa que emitia sons guturais louca para atacar, todavia, impedida por uma barreira invisível, Leon se afastou por receio. Ninguém falava, apenas davam passos e mais passos. Nenhum aluno estava por ali àquela hora, nem havia os servos da Academia, somente aquele grupo de heróis há muito derrotados, e seus passos que ecoavam até os seres ali os observando atentos como se os três fossem as verdadeiras estrelas do zôo e não as próprias criaturas.

- Devo salientar, meus caros, que a atinação de vocês foi deveras sábia! – Vlad quebrou o silêncio colocando as mãos dentro das outras mangas de seu manto.

- Foi idéia do Luigi! – disse Leon andando com as mãos atrás da cabeça e de olhos fechados, completamente descontraído – Não queríamos atrair boateiros ou inimigos!

- Somente a Grande Academia Arcana de Talude fica fora de espionagem comum ou mágica! – Luigi continuou enquanto tocava algumas notas em seu bandolim – Afinal, imagine se nosso inimigo descobrisse que encontramos uma pista valiosa sobre a localização de nossa Lenora? Não somos mais aventureiros novatos para cometer gafes de iniciante, dois de nós chegam a ser tão veteranos que até são avôs!

Eles lembraram do grande inimigo o qual foi abordado, Sckhar, Rei dos Dragões Vermelhos, aquele que desgraçou a vida de cada um ali. O silêncio recaiu sobre o grupo, pois as lembranças lhes abafavam a alegria e a vontade. Somente a lembança dos netos recuperaram o mago e o ladino.

- Então, Luigi, você conseguiu encontrá-lo? – Vlad indagou entregando o cajado para que Tarso segurasse.

- Por incrível que pareça não foi tão difícil! Principalmente quando recebemos uma ajuda de um rei dos dragões mais poderosos do mundo, não é? Heh! – Luigi fez um gesto positivo para o pequeno crânio serviçal que respondeu com um aceno.

- Quem diria, não é? Sorte ele estar conosco, ou jamais iríamos acertar a senha para entrar aqui, sem contar que é maior burocracia para interromper uma aula e pedir a presença de um professor companheiro de aventuras! – disse Leon – Antigamente ele só andava com você e Petra! Você mudou muito em dois anos, Vlad! Tarso podendo se aventurar com a gente sem você por perto, deixando sua filha mais livre e até deixando que ingressasse na Grande Academia Arcana!

Vlad calou-se por um tempo e então tentou um sorriso.

- Com todos aqueles acontecimentos não temos como não mudar, caro Leon! Alego que é a hora de permitir Petra de seguir com as próprias pernas, e se ela pretende mexer com magia para buscar a cura dela sozinha, que seja! Não vou interferir mais! – suspirou – Acho que mudamos o assunto de novo! Então, Luigi, o que descobriu?

- Eu segui pelo fundo do Mar Negro por um bom tempo até encontrar a cidade de nossa companheira! – o bardo narrava como se contasse uma história tocando seu bandolim e errando pelo zôo – Desolação, ruínas, destruição… Estas palavras são capazes de descrever o que acontecera ali! Estava arrasada, e uma nova capital para aquele reino foi erguida longe dali! O local foi completamente abandonado! Consideram amaldiçoado! Após mais algum tempo de procura e eu finalmente cheguei! Era profundo, medonho… nunca vi algo assim em tanto tempo de aventura, Vlad! – Luigi brevemente havia perdido o sorriso, e mesmo Tarso segurava a bainha da calça do bardo com suas mãos invisíveis para reconfortá-lo, pois presenciara o terror do meio-elfo ante a cena quando o ajudou a alcançar a área – Era um deserto de breu no meio da perdição! Não havia luz ou esperança… monstros cercavam todas as trilhas! Alguns pareciam mais horrendos do que o cadáver de uma orc velha! E quando encontrei o abismo vi apenas um único tentáculo da coisa… Tão grande, tão forte e tão horrendo que se erguia por quilômetros e sua espessura era maior que o raio da cidade de malpetrim… Era capaz de arrastar frotas inteiras de navios para as profundezas, e mesmo assim não fui capaz de alcançá-lo de frente!

Vladislav analisou cada palavra enquanto infiltrava-se na narrativa floreada de advérbios, comum para os bardos.

- Era ele, Vlad, o mestre de Lenora! Ele me disse com uma voz inaudível que ecoava das correntezas para dentro de meu espírito! Lenora estava viva, meu caro colega, ele me informou que nossa elfa não está morta como pensávamos! Quando retornei, andei buscando algumas informações na embaixada de Sckharshantallas e descobri que o infame dragão regente recentemente enviou vários escravos elfos-do-mar para um certo rei dragão como aliança de amizade e paz, e entre eles haviam membros de uma família real que reinara no Mar Negro! Lenora está com o Rei dos Mares do Leste! Em outras palavras…

- O Rei dos Dragões Marinhos… - Vladislav permitiu-se continuar a frase fazendo de seu pensamento palavras – Benthos! Tenebra e Wynna… Lenora é escrava de Benthos???

O bardo engoliu em seco.

- Pois é… - Leon pronunciou-se dando uma cusparada no chão - … dragões-rei são nosso karma!

O mago parou de caminhar e observou Tarso.

- Você sabia?

O crânio confirmou com a cabeça, Luigi fez uma expressão de surpresa súbita e indignação com o serviçal morto-vivo.

- HÃ?! COMO ASSIM??? E POR QUE NÂO NOS CONTOU? POR QUÊ? – o bardo avançou sobre o servo ignorando quem ele realmente era.

Leon segurou-o.

- Luigi!

- Compreendo você Tarso, em parte, mas compreendo! – Vlad lhe disse agachando, mas nem assim ficando na altura do morto vivo tão diminuto – Não vou lhe cobrar nada! Esse é mesmo um problema nosso e não foi para tal que lhe despertei!

- OS DEUSES SABEM LÁ QUE TORMENTOS ELA ESTÁ PASSANDO!!! – Luigi debatia-se no agarro de Galtran, como uma fera selvagem e indomada.

Instantaneamente o ar se condensou em certas áreas transformando-se em homens bronzeados, de trajes dos desertos, Djinns, gênios do ar; em seguida o chão elevou-se e surgiu um imenso maquinário mágico com formato humanóide, era um golem de ferro.

- O que está acontecendo aqui? Quem se revolta contra um professor? – a voz veio imperiosa.

Raschid, um Dao, gênio da terra, com forma de um homem bem musculoso de trajes árabes e com um cavanhaque ligado ao bigode demonstrando uma expressão séria e pétrea, surgiu vindo do nada. Ele era o zelador da Grande Academia Arcana.

- Não, zelador Raschid, é apenas um mal entendido! – Vladislav adiantou-se – Perdoe meu colega, não voltará a ocorrer!

- Como desejar, professor!

E todos os guardiões desapareceram instantaneamente com um estalar de dedos do zelador. Luigi sentou-se no banco de madeira magicamente macia, começando a derramar lágrimas compulsivas e loucas, por vezes engasgava-se no próprio desespero.

- Luigi, Tarso é capaz de ver muito além do que podemos! Ele quer que nós resolvamos nosso problema, ele sabe que podemos! Talvez se não fosse assim viveríamos entediados e sem experiências!

- Não é justo, Vladislav! Não estamos pedindo para ele matar alguns kobolds ou nos trazer um tesouro de uma masmorra abandonada! Mas sim resgatar nossa parceira Lenora! Nossa companheira! Nossa guerreira! Meu am… Droga!

Vladislav suspirou e sentou-se a seu lado direito enquanto Leon foi para o esquerdo. Tarso ficou aos pés de Luigi, com o crânio baixo.

- Meu caro, aposto que Tarso terá o prazer em nos ajudar chegar até ela! Mas não vou pedir que ele interfira em nossa vida!

- Vlad, o irmão dela… ele fez… ele estup… ele… - as lágrimas desciam de dentro das abas do chapéu.

- Entendo, Luigi, seu sofrimento! Assim como imagino o trauma de nossa companheira! Benthos pode ter exigido isso dela, mas também pode não o ter feito! Vamos, acalme-se, meu fraterno parceiro, temos uma elfa de espécie marítima para reaver!

Leon ergueu-se no mesmo instante.

- Vladislav está certo, Luigi, vamos!

Tarso fez breves gestos com as mãos invisíveis e materializou um copo d’água para que o bardo se acalmasse.

- Se vamos procurar por Benthos, teremos que ir até sua lendária cidadela submarina! – Vlad ponderou.

- E onde fica? – Leon indagou.

- Ora, meu alienado amigo… - Luigi limpou as lágrimas e se levantou tentando desviar dos pensamentos tão ruins que lhe assolavam -… ninguém conhecido no mundo seco parece ter ido à cidadela! Por séculos chegou a se duvidar que sequer existisse!

- Yikes! Odeio essas coisas de lendas! – Leon resmungou.

- Pois é, caro ladino! Estamos cegos nesta empreitada, porém temos uma pista! O reino arquipélago aonde os bárbaros que veneram Benthos vivem, Khubar, fica no Mar do Rei Dragão, assim chamado por acreditar-se que ele reside por aquela área! Como as correntes marítimas são de nível emano-centrionais ocasionados pelas variações referenciais das costas de camada sedimentar da espécie guant…

- Ah, Vlad! Já entendi, nos poupe desta erudição! – disse Leon balançando a cabeça para espantar a leve dor que começou a surgir – Já decidimos que vamos para Khubar então… Temos no grupo um mago lecionador da Grande Academia Arcana, o ladino mais procurado por todo o Reinado, mesmo que ele não se orgulhe muito disso, um ex-bardo imperial e um rei dos dragões lich! Será que é suficiente?

Todos sorriram.

- Hah! Leon, duvido que Tarso aceite enfrentar um outro dragão rei, poderia ter conseqüências catastróficas! – Vlad alegou segurando o próprio queixo enquanto o morto-vivo confirmava com o crânio. Luigi sentia uma raiva interior crescendo pelo pequeno, mesmo que o tenha ajudado tanto não podia perdoar aquela forma de agir – Precisamos de pelo menos um navio para viajar por Khubar, e um combatente até que Lenora nos reencontre!

Luigi então voltou a sorrir dando as costas para Tarso.

- Quanto ao barco acho que conheço um certo navio que poderemos usar caso sigamos para o sul de Hongari! – o bardo riu matreiro.

- Eu conheço um exímio combatente que há muito me aventurei, apesar de ser um tanto inconveniente em certos momentos! – Vladislav ponderou.

- Yikes! – Leon arregalou os olhos – Kobolds me mordam, Vlad! Você está falando do bárbaro Katabrok??? Meu sobrinho aloprado???

- Oras, Leon, ainda que ele seja um pouco atrapalhado não é tão ruim no manejo de uma arma!

- Ele é tão atrapalhado quanto meu falecido irmão! Ah, você que sabe!

Luigi interveio com seu sorriso matreiro.

- E o que me diz de um certo amigo seu, Vlad… Ouvi dizer que Tork, o troglodita anão, está na capital!

- Hmm… Lembrou bem, caro bardo, ele realmente veio visitar Petra! Bom, vou avisar na coordenação e pedir que o professor Thanatus me substitua temporariamente! Em seguida iremos procurá-los!

- É… Não bastou sermos inimigos de um dragão-rei, de um deus serpente e de uma naga… Agora vamos arrumar confusão com outro dragão-rei influente! – Leon suspirou espreguiçando e abraçando inconvenientemente os dois – Vambora, pessoal!

E assim começava mais uma grande aventura que ecoaria por todos os cantos de Arton, narrada por arautos errantes de intenções duvidosas.





Um comentário:

  1. boa historia cara gostei fiquei apreencivo com a continuaçao muito obrigado =)

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