sexta-feira, 24 de julho de 2015

A Fé Trespassada


A pedra era do tamanho de uma carroça e voou pelos ares com a facilidade de um pássaro. Sua sombra passou pelas cabeças dos elfos e os fez olhar estupefatos ou agacharem-se amedrontados como se um dragão sobrevoasse o pequeno forte. Quando parou de subir e iniciou a descida, completou o arco sobre um dos celeiros. A construção explodiu, lançando pedaços de pedra, madeira e palha por toda parte. A poeira subiu sufocando os elfos que gritavam desesperados e encolhiam-se de medo. Quando o ar clareou novamente, os corpos espalhados no chão fizeram o choro superar até mesmo o sufocamento.

                Elfos ajoelhavam-se diante de seus parentes mortos. Soldados corriam para ajudar os civis. Eram liderados pelos magníficos Espadas de Glórienn, os únicos filhos da Deusa Mãe que ainda não demonstravam o temor de sucumbir à barbárie dos goblinóides.

Eleandil observava os sobreviventes rezarem. Passou a mão no rosto sujo de fuligem e machucou-se ainda mais, prendendo a manopla em um corte. Praguejou e olhou para o lado para dar uma ordem a um dos soldados. Encontrou-o caído com um estilhaço de pedra enfiado na cabeça. O elmo estava destruído e o sangue se espalhara pela terra juntamente com alguns pedaços de ossos e um dos olhos.
Um Espada de Glórienn se aproximou de Eleandil ofegante. Limpou o rosto com a mão e olhou para a devastação entre os muros da pequena fortaleza.

- Eles estão preparando mais um tiro senhor. Não resistiremos por muito tempo, erfel – disse.

O título de erfel ressoou pela mente do elfo por alguns segundos. Não se acostumara ainda, mas desde que o líder do pequeno destacamento fora morto, não restara ninguém com graduação maior do que Eleandil.

- Precisamos sair daqui. Já contaram os mortos desse ataque? – perguntou.

- Quatro, erfel.

Eleandil começou a caminhar. Amaldiçoava a teimosia de sua raça. A capital imperial caíra há pouco mais de um mês e a maioria dos elfos recusava-se a acreditar. Aqueles que aceitavam a notícia, ainda preferiam morrer em suas terras a entregá-las à barbárie. Desde a queda, os goblinóides marchavam pelo reino batendo em tambores novos feitos com pele de elfos. Apenas os territórios ao norte ainda tinha sobreviventes que resistiam, mas Eleandil sabia que não durariam muito.

Passou por uma criança caída. Chorava sobre o corpo da mãe sem se importar com o sangue que escorria da própria cabeça. O guerreiro a seu lado abaixou-se e tocou a cabeça do menino. Rezou para a deusa pedindo a cura. Eleandil continuou caminhando.

- Reúna os Espadas de Glórienn. Quero todos aqui.

Olhou de volta quando não recebeu resposta. Havia um clérigo ao lado do Espada de Glórienn, ajudando a curar a criança. O soldado levantou-se e alcançou o erfel.

- O que aconteceu?- perguntou Eleandil quando o subordinado parou diante dele calado, apenas esperando ordens.

- Esqueci-me que havia esgotado minhas magias de cura hoje – disse o elfo.

O antigo erfel não precisava pedir respostas. Elas surgiam sem ordens ou perguntas. Olhou para o Espada de Glórienn e torceu para que ele não estivesse mentindo.

- Cite o terceiro lema – ordenou.

- A verdade está nas palavras desse servo da Deusa Mãe assim como graça divina abençoa meu sangue através da minha fé.

- Acredite nele. Não posso perder nenhum guerreiro.

O elfo baixou a cabeça, com certeza lembrando-se da caminhada até ali. Dois dos Espadas de Glórienn haviam cometido o crime maior da elite guerreira dos elfos. Um deles ajoelhou-se na terra e pediu para morrer, pois não tinha mais esperança na guerra. O comandante lhe cortou a cabeça ali mesmo. O segundo chorou diante dos corpos daqueles que haviam falecido durante a caminhada e gritou que Ragnar cegara Glórienn para as atrocidades cometidas contra seus filhos. O comandante lhe entregou a adaga da purificação ali mesmo e ele a enfiou no coração para retirar a blasfêmia do seu sangue e a vergonha perante sua família.

Esse último fora irmão de Eleandil, o único que restara para se envergonhar pelo pecado do Espada de Glórienn caído. Naquela mesma noite, o guerreiro foi até seu comandante e o viu morrer quando uma pedra atravessou a janela e destruiu uma das torres. O novo erfel só sobreviveu por causa dos milagres de cura dos Espadas de Glórienn e dos clérigos.

- Aproveite para dizer que nenhum Espada deve usar suas curas nos civis. Guarde-as para os guerreiros. Passe a ordem para que os clérigos sempre reservem uma cura para os soldados. Os civis devem receber apenas os cuidados mundanos. Vamos reservar a benção da deusa para aqueles que podem salvar as vidas do nosso povo.

O soldado concordou e foi dar as ordens, enquanto Eleandil subia as escadas do muro. Parou ao lado de dois arqueiros e olhou para o acampamento globinóide. Estavam preparando mais uma pedra naquelas gigantescas catapultas. O elfo não podia acreditar naquelas duas máquinas. Antes se espantava com a sujeira e a barbárie das raças inferiores. Agora mais de cem inimigos acampados não eram nada diante das máquinas de guerra que traziam. Via corpos espalhados, sinais obscenos e ouvia gritos de vitória e as festas das criaturas, porém nada disso o afetava. Somente o ranger das cordas das máquinas alcançava seu coração.

- Tragam o corpo do meu irmão. Certifique-se que ainda está vestido com a armadura dos Espadas de Glórienn.

Um dos arqueiros desceu a murada. Eleandil olhou para a pequena fortaleza. Estava quase nas fronteiras do reino e ela deveria servir apenas como ponto de apoio para os fazendeiros. Agora era o último refúgio naquela região. Olhava para as montanhas adiante e tinha certeza de que já havia refugiados passando por elas. Que os humanos agora colaborassem com os filhos da Senhora da Graça Real. E que ele conseguisse retirar aqueles oitenta civis e quarenta guerreiros dali.

- Filhos de Ragnar! – gritou Eleandil. Seus cabelos dourados esvoaçaram quando o vento fedorento soprou pelo acampamento inimigo e tocou seu rosto. Manteve os olhos cinzentos sobre as criaturas que pararam para ouvi-lo. – Vocês querem nosso sangue? Terão o nosso sangue. Deixem-nos nos preparar para nos entregarmos a vocês. Seremos seus escravos. Como prova disso, daremos o corpo de um dos nossos comandantes a vocês.

O cadáver do  irmão chegou. Foi sem pedir desculpas ou dar atenção aos olhares impressionados dos elfos a seu redor que ele ordenou que o corpo fosse jogado para os bárbaros. As criaturas esperaram, temendo uma armadilha, mas todos os arcos foram baixados quando Eleandil estendeu o braço e fez o sinal.

- Festejem perante esse corpo enquanto fazemos nossas orações – disse o erfel.
*****
- O erfel perdeu a fé? – perguntou um arqueiro, assustado. Tinha um olhar suplicante de quem se entregaria se recebesse uma resposta afirmativa.

- Não.

- O senhor mentiu?

- Não existe mentira à sombra da barbárie.

Desceu as escadas e parou diante dos Espadas de Glórienn. Havia dezesseis deles, todos com arcos, lanças e espadas limpos e abençoados. Seus cavalos foram trazidos. Eleandil montou e olhou para seus guerreiros.

- Qual o segundo lema?

- Minha morte é doce perante a eterna vida dos meus irmãos. Que eles vivam para perpetuarem a fé por quem amo e prezo acima de tudo. Que eles vivam para que eu seja lembrado como filho da maior das graças entre tudo o que é considerado divino.
Eleandil colocou o elmo.

- Preparem-se! Eles estão festejando e bebendo agora. Os portões serão abertos e eu quero uma carga cerrada rumo às catapultas. Dois grupos se separaram para dar a volta e causar distração. Os arqueiros começarão os tiros pouco depois.

As ordens eram simples. Assim os clérigos apareceram e os abençoaram, pedindo ótimos golpes, boa proteção e uma boa morte para quem não sobrevivesse. Esperaram até a costumeira baderna dos globinóides começar. Quando os portões se abriram, os cascos dos cavalos bateram na terra, levantaram poeira e os elfos dispararam na direção dos inimigos.

A guarda da frente portava lanças naquele momento. Foi como um triângulo que eles passaram enfiando as armas dos corações dos inimigos. Aqueles que sobreviviam aos primeiros caíam com as gargantas cortadas pelos outros. Logo atrás, as flechas eliminavam os inimigos na lateral, voando como anjos da morte e reduzindo os goblinóides a cadáveres afogando-se em poças de sangue.

O primeiro Espada de Glórienn caiu ao lado de Eleandil. Um hobgoblin gigantesco acertou-o com um martelo de guerra, arrebentando o peito do elfo e jogando-o contra o cavalo de trás. O estalo da caixa torácica se quebrando foi ouvido acima dos bater dos cascos dos cavalos. O sangue que encheu a boca do elfo sufocou o grito de dor.

O corpo se embaralhou nas pernas do animal do companheiro de trás. A criatura relinchou assustada enquanto seus ossos se quebravam e a cabeça do Espada de Glórienn era esmagada por um de seus cascos. Foi um com salto espetacular que o cavaleiro se livrou da queda e caiu com a lâmina elfa enfiada no peito do hobgoblin. Os milagres de guerra da Deusa permitiram que ele matasse três inimigos antes de chamar pelo cavalo do companheiro e montar de novo.

Os elfos das laterais abriam caminho e atiçavam a fúria dos bárbaros, atraindo sua atenção. Matavam a esmo, procurando apenas aumentar o sangue que manchava a terra. Eram quatro de cada lado e três desses elfos tombaram após quatorze mortes quando seus milagres de guerra finalmente se esgotaram.

Eleandil sentia as baixas no coração, podendo contar cada morte através da magia que o ligava aos subordinados.

- Por Glórienn – gritou o elfo a seu lado.

- Pela vida eterna dos Filhos da Graça! – gritou Eleandil.

O elfo que perdera o cavalo e montara há pouco os alcançou. Eles já estavam diante das catapultas. Eleandil arremessou a lança, atravessando a cabeça de um oponente. Sacou a espada rapidamente, enquanto dava a volta com três outros cavaleiros, cortando e gritando.
 Outros quatro circularam pelo outro lado. Os três restantes continuaram rumo à catapulta. Guardaram os arcos, desprenderam as lanças dos cavalos e atravessaram a multidão de goblinóides com toda a carga.  Caíram um a um na balbúrdia da batalha, chamando em vão por Glórienn. Quebrados por martelos, perfurados por flechas negras ou lanças toscas, tornaram-se corpos profanados por dúvidas e anseios.

O último desses elfos morria quando os grupos circulantes se juntaram no lado oposto e penetraram na defesa da catapulta. Destruíram os inimigos silenciosamente. Eleandial girou o cavalo, afastando os globinóides enquanto chamava pela espada da deusa. A lâmina do elfo brilhava arrancando sangue inimigo sem se manchar. Estava limpa quando parou de matar; tão limpa que poderia ser usada como um espelho. O erfel pressionou o caminho. Viu um dos companheiros tombar com o rosto assustado.

- Depressa! – gritou, assistindo a aproximação do último elfo sobrevivente que participara da distração.

O cavalo de Eleandil foi atingido, empinando para cair sobre um goblin. Eleandil se desvencilhou do animal e levantou-se cortando qualquer inimigo que encontrasse. Quando deu por si, estava ao lado da catapulta já destruída e com a lâmina coberta por sangue.

- Falta uma! – gritou desesperado, vendo quantos de seus homens já estavam mortos. Seis deles ainda estavam montados, todos com as lâminas avermelhadas.

- Abra espaço! – ordenou para um dos guerreiros mais graduados.

O elfo levantou a espada e girou o corpo, chamando por Glórienn. Penetrou na massa de globinóides como um furacão, com a lâmina circulando e matando. O sangue voava enquanto os outros elfos o acompanhavam, eliminando os inimigos agonizantes. Pararam de andar de repente, quando o guerreiro da vanguarda foi engolfado pela maré inimiga. Pedaços do elfo voaram sobre os companheiros que precisaram recuar de volta para a catapulta.

Eleandil olhou surpreso para os amigos ao redor, depois para a espada.

- Ela está suja – disse para si mesmo.

- O que faremos, erfel? – perguntou um guerreiro.

Eleandil não sabia. Sua única resposta seria morrer por Glórienn, mas quando tentava completar em sua mente as palavras do primeiro lema, a gritaria dos inimigos o impedia de raciocinar. Precisava apenas matar e sobreviver.
*****
Os braços dos elfos começavam a se cansar. As armaduras haviam duplicado de peso e o calor da batalha eliminava o que restava de suas forças. Eleandil enfiou a espada em um bugbear, jogando-o para cima dos inimigos que o cercavam e aumentando a área do círculo de proteção dos elfos.

- Não tenho mais flechas, erfel! – gritou um dos homens montados no meio do círculo.

- Chame por elas!

Ele chamou. Clamou pelas setas sagradas da deusa e levou a mão à aljava vazia. Flechas prateadas deveria aparecer em sua mão, mas seus dedos voltaram tão vazios quanto seu coração assustado. O medo nos olhos do arqueiro sagrado se espalhou pelos guerreiros como doença da alma que corrompia sua fé.

Eleandil procurou por luz em seu coração, mas a que o encontrou veio de fora, quando um relâmpago atravessou os globinóides deixando corpos queimados ou em convulsão enquanto o caminho dos elfos era aberto. Três guerreiros vestindo capas negras surgiram montados, matando com a mesma graça dos Espadas de Glórienn. Deram montaria a quem estava a pé e rumaram para os portões. Um quarto cavaleiro se juntou a eles e foi só quanto estavam dentro da fortaleza que o erfel notou os elfos que haviam o salvado. Eram guerreiros sisudos de cabelos e olhos negros, vestidos com armaduras cobertas por sangue. Algumas pareciam modificações dos armamentos dos Espadas de Glórienn.

- Que a deusa os abençoe por terem salvo servos fiéis dela – disse Eleandil.

Nenhum deles respondeu. Pareceram incomodados pelas palavras de agradecimentos. Um deles, um elfo mais velho cujos olhos negros tinham a sombra de pesadas decisões, deu um passo a frente. Era o único que não se vestia com roupas de guerreiro. O manto escuro e o bastão tornavam óbvia sua posição como mago.

- Vi sua atitude e considerei louvá-lo, erfel Eleandil – disse o arcano.

- Qual seu nome? – perguntou o elfo.

- Kessarel.

- Como sabe meu nome?

- Berforam disse-me que estaria aqui juntamente com o erfel Serran. Pude constatar pela sua posição que ele já está morto. Pode me confirmar a notícia?

- Sim.

- Nossa missão aqui acabou então.

Eleandil olhou estupefato para Kessarel. Atrás dele, os elfos cochicharam e alguns xingaram. Os Espadas de Glórienn exigiram silêncio.

- Não nos ajudarão a escapar?

Kessarel olhou para os elfos à frente.

- Vocês não querem escapar. Vocês querem ficar. Não posso ajudá-los a ficar, a não ser que peçam que eu passe uma adaga em suas gargantas e os enterre aqui.

Eleandil deu um passo a frente, cerrando o punho e levando-o ao rosto. Encostou a mão na boca para conter as palavras iradas.

- Kessarel, resistir aqui é provar que nosso povo ainda tem esperança.

- Não se vive por esperança.

- Mas não podemos roubar os sobreviventes dessa esperança.

- Não estou roubando nada de ninguém, mas quem me acompanha vive por fatos, seja pela aceitação dos passados e presentes ou pela construção dos novos.

- E você manda em alguma coisa? – perguntou um clérigo atrás de Eleandil.

- Não. Nosso líder é Berforam aqueles que vocês conhecem como o eriand dos Nitfahglorienn, comandante supremo dos Espadas de Glórienn. Ou melhor, era. Estava aqui para passar o posto para Serran. Era o comandante mais próximo que eu pretendia encontrar.

Os pensamentos de Eleandil pararam por um momento. Berforam fora de seu posto? Aquela notícia caiu sobre ele como uma avalanche, cada pedra atingindo sua alma de uma vez. A primeira foi um aviso de algo terrível. Se Serran estava morto, então ele receberia o cargo. Só na segunda o elfo entendeu que para receber um cargo desses Berforam deveria estar morto. Só se deixa de ser um Nitfahglorienn morrendo, seja pela própria espada ou pela dos inimigos.

- Berforam deixou a posição abençoada de Nitfahglorienn?

- Sim.

As mãos de todos os Espadas de Glórienn foram imediatamente às lâminas. Olharam para os elfos atrás de Kessariel.

- Vocês também são guerreiros sagrados?

Um deles, uma elfa com uma cicatriz no rosto, respondeu.

- Éramos.

- Não se diz “fui” na mesma frase em que se pronuncia “eu” e “Espada de Glórienn”.

- Agora se diz – disse a elfa.

- As coisas mudam, Eleandil.

As armas saíram das bainhas. Os clérigos prepararam os milagres de guerra que ainda tinham.

- Vocês ainda podem ter a honra de usarem suas adagas contra seus peitos.

Kessarel continuou falando como se as armas ensangüentadas não lhe dissessem respeito.

- Agora a elite que caçava desertores foi destruída. Um dos poucos que restava era Serran, um dos guardiões da fé.

- Você os matou e veio para passar o cargo a Serran?

- Só vim com a segunda intenção. Matei poucos deles. Foi Berforam quem assassinou a maioria dos caçadores da fé.

                Eleandil parou para pensar. Era óbvio. Se Berforam deixou a fé, uma mensagem fora passada para a alma de todos os caçadores. Eles deveriam eleger um novo líder ou matar aquele que abandonou a benção. Mas quem entre os elfos conseguira vencer Berforam em combate direto?

                - Sinto, mas vocês quatro morrerão hoje.

                - Não morreremos. Já disse que passaria a adaga nas gargantas de todos vocês e ainda o faria, começando pelos clérigos. O que não farei será enterrar seus corpos. Todos os seguidores de Glórienn apodrecerão.

                O susto nos rostos dos elfos foi maior do que o que viram em todos aqueles dias de guerra, quando os grupos de resistência eram eliminados continuamente e a vida no império se tornara puro terror. Flechas e espadas apontaram para as figuras de negro. Quando a primeira foi disparada, desviou-se por um círculo de vento que a fez voar por cima do muro. As outras encontraram o mesmo resultado.

                Os soldados com espadas pararam o ataque quando Eleandil ergueu a mão e depois apontou a fina linha de fogo que circulava o quarteto.

                - Vocês não escaparão daqui – disse o erfel.

                - Eu usaria essa frase para vocês, mas odeio essas frases de efeito. Dizer o óbvio me cansa. Eleandil, você é o novo eriand. Cuide bem de sua posição.

                - Diga a Berforam que eu sobreviverei e o caçarei!

                - Ele não esperaria menos de você. Não espera menos de ninguém que tenha treinado. Só que também pede para que nenhum de vocês espere clemência por parte dele.

                - Como ele pode ter abandonado a deusa que lhe deu filhos e o protegeu por tantas batalhas? Ele negará isso ago....

                Kessarel balançou a cabeça e levantou a mão para interromper o novo eriand.

                - Ele também pede para poupá-lo dessa pieguice toda de falar sobre as glórias e bênçãos do passado. Quero dizer... Ele não pede isso, mas eu ouvi tanto disso nos últimos dias que estou incluindo esse pedido. Melhor vocês saberem que as coisas mudam e pessoas inteligentes sabem quando precisam se contradizer.

                Os Espadas de Glórienn ergueram seus arcos. Apontaram flechas de ponta prateada para Kessarel e seus guerreiros. Bastava a ordem de Eleandil para que disparassem. Kessarel sorriu e depois quase gargalhou.

                - Desculpe o sorriso de vilão poderoso cheio de segredos. É um dos meus prediletos. Pretende realmente deixar que seus companheiros atirem, eriand?

                - Sua magia não é capaz de deter nossos milagres de guerra. Você sabe do que a flecha de um Espada de Glórienn é capaz – disse Eleandil.

                Kessarel fitou-o diretamente nos olhos.

                - Eu posso lhe garantir que essas flechas não me atingiriam. E também lhe garanto que o dano delas será maior em suas almas do que em seus corpos se elas se voltarem contra vocês.

                Os guerreiros sagrados olharam para Eleandil procurando resposta. O elfo, o único sem arco, pensou naquelas palavras. Olhou para a espada ensangüentada e lembrou-se das mortes dos companheiros de guerra. Nenhuma delas deveria ter ocorrido. Os milagres deveriam salvá-los. As dúvidas que lavaram a força de sua alma durante a batalha logo voltaram.

                - Não atirem – ordenou.

                Esperava que Kessarel sorrisse, mas ele olhou seriamente para Eleandil. O novo eriand então compreendeu a profundidade daquele teste.

                - Os elfos se ajudarão e apoiarão nossa mãe, não importa o que aconteça – disse.

                A verdade era que ele não sabia ao certo o que estava acontecendo, mas as mortes dos colegas, tombando quando os milagres deveriam mantê-los vivos lhe diziam que a Deusa Mãe não estava os alcançando como antes. Falha de fé ou falha divina? Deuses falham?

                - Estamos do lado da nossa Mãe.

                - Mãe... De fato... – disse Kessarel.

                - Nós a ajudaremos a reerguer o império.

                Agora o elfo de cabelos negros sorriu.

                - Vou embora, Eleandil, mas deixe-me dizer-lhe uma coisa. Não se ajuda um deus, mesmo que você chame essa divindade de mãe ou de pai. Só existem três coisas que você pode fazer por um ser divino – disse, levantando a mão e começando a mostrar os dedos um a um. - Você morre por um deus. Você mata por um deus. Você ora por um deus. – Cerrou o punho. – Você não ajuda um deus. Olhe para esse muro. Pense no que você faz por ele? Conserta, dá vida ao interior, enfeita, mas não fica diante dele quando as pedras dos goblinóides são arremessadas.

                Kessarel andou até perto dos outros três elfos de negro, enquanto tantos indivíduos atrás de Eleandil tentavam entender. Um clérigo mais próximo chorou. Outro se ajoelhou e misturou suas lágrimas à terra.

                - Quando a noite chegar, os portões se abrirão. Escolham o que pretendem e lembrem-se que não haverá volta nessa escolha.

                O quarteto desapareceu, transformando-se em sombras e desvanecendo sob a luz do sol.

                Eleandil ajudou um dos clérigos a se levantar. O outro ainda molhava a terra com as lágrimas. Sujava o rosto com barro e perguntava ao solo e ao sangue derramado nele onde estava a verdade sobre tudo o que acreditara.
*****
Os soldados estavam todos preparados diante dos portões. Os escudos foram levantados e as lanças afiadas. Eleandil mediu o peso da arma e olhou para os homens. Chamou os Espadas de Glórienn restantes para permanecerem na vanguarda. Naquele dia, o estilo de guerra élfico seria abolido. Seriam uma parede de escudos e não a graça pura das espadas fatiando os bárbaros na dança conjunta dos filhos eternos.

                Ouviram os tambores dos inimigos batendo forte. O barulho atormentava as almas mais fracas, mas enchia Eleandil de resolução. Quando os portões se abriram, não por magia ou por força, mas sim porque os elfos queriam escapar, a escuridão da noite entrou com o fedor do acampamento bárbaro. Eleandil viu as estrelas do norte e soube que era o tempo de rumar para lá onde a podridão humana reinava.

                Um grupo de elfos tentou fugir à frente. Eles correram na direção dos goblinóides. Eram vinte. Nove deles hesitaram e naquela mera parada, flechas e lanças os perfuraram. Os outros passaram livres pelos portões, sumindo na escuridão. Eleandil suspirou e gritou.

                - Qual o primeiro lema?

                - Minha eternidade se resume a amar aquela que me agraciou com um único motivo nobre para morrer! Que um suspiro de amor seja minha última prece à Única Senhora dos Elfos!

                Então eles rumaram na direção dos portões e ali se mantiveram. Os inimigos investiram velozmente, berrando como animais desesperados. Seus olhos vermelhos brilhavam na noite como estrelas que prenunciavam a morte.

                Os elfos cerraram as fileiras e os escudos bateram uns nos outros. Sentiram a presença do amigo ao lado e confiaram no sangue e na fé que os unia. Foram as lanças que seus irmãos forjaram que se enfiaram nas entranhas podres dos primeiros goblinóides a se aproximarem. E foi o brado de guerra de irmãos de fé e sangue que saltou na noite acima dos gritos desgraçados dos oponentes.

                Juntos aos portões, eles resistiram. Ali eles mataram mais de cem filhos de Ragnar. Quando a manhã chegou, havia doze corpos de elfos caídos no meio dos cadáveres. Eleandil ajudou a carregá-los e cremá-los, pois não os deixaria junto ao lixo.

                Os sobreviventes seguiram em procissão para o norte. Eleandil se recusou a chamá-los de refugiados. Eram romeiros rumando para novas terras onde reformariam a fé da Única Senhora dos Elfos. Que todos os Lemas da Senhora Eterna estivessem em seus corações.

Author: Antonio Augusto Shafthiel

quarta-feira, 17 de junho de 2015

Encontro Amargo





A floresta escura estava silenciosa. Os animais haviam a abandonado, assustados com o grito de ódio. Os pássaros voaram de seus ninhos deixando ovos e filhotes, temendo tanto por suas vidas que não se preocuparam com as crias. Coelhos e raposas correram juntos para se salvarem daquele grito terrível que não conseguiam reconhecer, que era tão afastado de sua natureza. Traçando um círculo a partir de onde os animais começaram a parar sua fuga, sabia-se que o centro seria o lugar onde um elfo, de espada na mão coberta de sangue e cabelos esverdeados tapando o rosto, estava ajoelhado.

                Enfiava uma adaga na terra e gritava vários nomes de heróis e deuses antigos de seu povo. Passou por vários, entidades esquecidas ou divindades menores que já haviam caído perante outros poderes. Só por um deles ele não clamava, sua Mãe e Senhora, a Dama que criara sua raça.

                Ao lado dele, quatro corpos estavam caídos. Eram todos seus amigos que haviam se juntado a ele nessa empreitada. Todos o seguiram tentando convencê-lo a parar com aquela idéia. Aqueles a quem procurava não eram nada mais do que uma lenda. Outros diziam que era a escória de uma raça amargurada. Esses faleceram um a um sob sua espada por desafiarem sua obsessão.

                Ainion das Antigas Noites de Bruma, elfo guerreiro, capitão de infantaria, passara os últimos anos lutando para que sua alma não morresse. Ele a sentiu definhando pouco a pouco, falecendo ainda que seu corpo longevo se mantivesse firme, levantando espada para arrancar sangue de monstros em toda espécie de aventuras.

                Enchera-se de tesouros. Tinha anéis mágicos nos dedos, uma armadura que impedia que qualquer flecha o acertasse, um colar que o protegia contra o fogo, uma espada que cortava o aço, tanto dinheiro que comprara seu próprio grupo de mercenários, com o qual adquirira ainda mais riquezas. Nada disso servira para preencher sua alma.

                Foi com admiração que percebeu o prazer ao cortar a carne daqueles humanos caídos a seu lado, seus antigos amigos de aventura que resolveram acompanhá-lo naquela empreitada. Aquilo só o fez perceber que estivera certo em ir até ali. O descanso de sua alma élfica estava naquela floresta.

                - Querda sleerien farsh – disse. “Que a morte seja breve e eterna”, falava em um ditado para a alma élfica.

                - Canh triani lus malari – completou alguém, que agora colocava a mão em seu ombro. “Para que nenhum deus nos culpe de falta nobreza”, dizia o restante do ditado.

                Ainion fincou de vez a faca no chão e olhou para as duas figuras silenciosas que estava atrás dele. Um era Alyan nih Narceliene, outro elfo guerreiro que ele conhecia desde os tempos do império, antes da queda que destruíra a alma de Ainion. A elfa que o seguia era a sacerdotisa Marwen nih Sarntir, serva da deusa cujo nome Ainion não pronunciava.

                - Você matou amigos, Ainion – disse Alyan, agachando-se ao lado do amigo.

                Lágrimas desceram pelo rosto do líder mercenário.

                - Eles não acreditavam.

                - Nem precisavam. Vieram para salvá-lo dessa crença maldita.

                - Vocês só estão vivos porque acreditam que é verdade.

                - Acreditamos e tememos – disse Alyan, olhando em volta.

                - Não tememos... Desprezamos – corrigiu Marwen.
                Alyan ajudou o amigo a se levantar. Olhou para a face triste. As lágrimas escorriam pela cicatriz na bochecha esquerda. Entregou-lhe uma fita marrom bordada com frases de glória.

                - Não tenho mais orgulho – disse Ainion.

                - Creia e você terá – falou Marwen, adiantando-se. Tomou cuidado para não pisar no sangue dos humanos.

                - Um elfo perece sem seu orgulho e sua morte não se torna breve nem eterna – falou Ainion, recitando os ensinamentos religiosos pelos quais passara na infância.

                - O orgulho vem da deusa, não de você, pois o seu sangue vem do ventre dela. Seu espírito vem da benção dela. Venha, eu vou purificá-lo – disse ela, colocando as mãos sobre o peito dele.

                - Não estou arrependido de tê-los matado. Não posso ser purificado.

                Marwen passou por ele, retirando a fita bordada de suas mãos. Prendeu os cabelos do guerreiro após retirar algumas folhas secas. Notou um pouco de sangue coagulado, mas cuidaria daquilo depois.

                Alyan segurou a mão do amigo.

                - Não há nada nessa mata, meu caro. Nada...

                - Há sim. Aqui há algo que não descansa, cuja morte não foi breve e nem eterna. Eu posso sentir.

                - Não há – insistiu Alyan.

                - Há sim e eles observam junto ao sofrimento dessa alma ignóbil.

                Marwen se colocou diante dele mais uma vez. Deu-lhe um beijo na bochecha e sentiu a lágrima quente que escorria.

                - Você está apenas desnorteado, Ainion. Pense consigo mesmo e em breve a doçura de sua alma o levará ao arrependimento. Você sentirá misericórdia dessas criaturas, mesmo elas sendo inferiores.

                Ainion baixou a cabeça. Marwen estava para levantá-la quando a temperatura na floresta caiu repentinamente. Alguma coisa gritou com uma voz estridente.

                - Misericórdia é tudo o que eu quero!

                Era um grito doloroso que feriu os corações dos elfos. Era como vidro sendo arranhado. Sacaram suas espadas longas e olharam em volta. Só viram uma escuridão densa que foi se afinando aos poucos, até formar o vestido glamoroso de uma criatura que se sentava em um galho. A saia dela descia pelo tronco. Tinha a face pálida e triste, as orelhas pontudas de um elfo e o olhar desesperado de alguém que encontrou a morte e não sabe como reagir. Não sabe que deve seguir adiante.

                - Ela existe! A banshee está aqui! – gritou Ainion, olhando em volta, procurando por “eles”.

                - Criatura patética! – gritou Marwen, adiantando-se. – Que Nossa Mãe Gloriosa lhe dê paz por seus pecados e a arraste para o domínio em que será purificada.

                A criatura riu amargurada e saltou da árvore, voando na direção deles. Marwen continuou imóvel, levantando um símbolo sagrado. A banshee passou por ela. Ainion e Alyef saltaram, escapando de garras fantasmagóricas. Marwen virou-se para procurar a criatura. Ela sumira.

                - Venha receber sua purificação!

                - Não! – respondeu a voz agonizante.

                - Ela quer ou não quer ser salva? – perguntou Alyef.

                - A dor dela impede que aceite. Ela só consegue pedir o que ninguém pode dar. Se eu a ofereço a salvação, ela nega e passa a me odiar – respondeu Marwen.

                As garras da criatura seguraram o pé de Alyef de repente. Agora ela vinha do solo. Subiu como um raio levando o elfo. Marwen orou com fervor e um raio atingiu a banshee. Ela soltou o elfo, que caiu e se levantou rapidamente com a mão no ombro.

                Ainion procurava o fantasma élfico. Estava com a espada meramente em posição de defesa. A banshee agora voava no alto esfregando o rosto e gritando.

                - Ela vai gritar – disse Marwen, orando.

                A criatura abriu a boca de um modo que um mortal não conseguiria. Saiu de dentro dela um ar de outro mundo, repleto de dor e morte, carregando o som da angústia. Os elfos sentiram aquele brado de morte como espadas atravessando seus espíritos e os fazendo se lembrar de suas dores. Marwen se manteve de pé protegida por sua deusa. Alyef caiu de joelhos lívido, enquanto Ainion chorou, apenas chorou.

Então a banshee desceu com as garras apontando para o pescoço de Marwen. Ela preparou a espada para golpear, mas Ainion foi mais rápido. Saltou e interceptou o fantasma. Sua lâmina mágica, que cortava aço, atravessou a inimiga com um brilho que separou as trevas que compunham aquele ser. A banshee deu seu último gemido e desapareceu. As trevas do mundo retomaram sua essência assim como a terra exige de volta a carne de um mortal.

Ainion ficou parado olhando em volta. Marwen abaixou-se para ver Alyef e rezou para a deusa para que ele melhorasse.

- Ele não está bem. Minha magia pode ajudá-lo, mas o espírito dele está enfraquecido.

- Se o espírito de um elfo se enfraquece, só seu sangue pode fortalecê-lo – disse outra voz que vinha das trevas como a da banshee, só que essa tinha o vigor dos vivos e a vontade férrea dos imortais.

Um elfo surgiu da escuridão da noite. Usava um manto que cobria todo o corpo. Portava uma tiara dourada com uma pedra negra no centro. Seus cabelos eram escuros como as entranhas de um demônio e os olhos eram o espelho negro do ódio.

- Shimay! – gritou Marwen, mal acreditando no que via. Era a primeira vez que estava diante de um. Era a primeira vez que realmente levava a sério aquela lenda maldita.

Ainion olhou para o recém-chegado com a primeira fagulha de esperança que já tivera em quase duas décadas. Andou até ele, fincou sua espada no chão e se ajoelhou.

- Salve-me, pois eu não tenho mais orgulho do meu sangue, nem me lembro mais de minha linhagem.

- Afaste-se dele, Ainion! – gritou Marwen, se adiantando com a espada na mão.

- Só tenho palavras como armas, sacerdotisa moribunda – disse o elfo negro, andando até ficar ao alcance da espada dela e com a oportunidade de tocar Ainion. Encostou um dedo nele e então recitou toda a linhagem, dos seus pais, aos pais dos seus pais e a seus antepassados que haviam pisado em seu continente.

Ainion sorriu e chorou.

- Me dê a glória deles – disse.

- Não posso lhe dar o que você já carrega. Está no seu sangue – disse o elfo negro.

- Não! Está no seu espírito. A Deusa lhe deu e está junto dele!

- A Moribunda não dá nada há muito tempo, mas nos faz acreditar que o que é inerentemente nosso é presente dela – falou o elfo negro, paciente.

Marwen queria atacá-lo, porém sentiu que fazê-lo seria o mesmo que dar crédito para as ações de Ainion. Seria mais combustível para o que o shimay dizia.

- Fortaleça minha alma – pediu Ainion. – Eu perdi família, perdi um império. Um elfo não é nada sem o orgulho de seus parentes ou o que seus antepassados construíram. Minha alma se torna mais bárbara, mais... humana... a cada dia que passa... Parece que tudo vai mudar de um dia para o outro... dia após dia.

- O mundo muda, mas os elfos ficam, Ainion – disse Marwen. – O mundo muda, mas nossa graça se mantém aqui ou junto à deusa, pois tudo aqui acaba, mas o reino dela é eterno.

- Nossas vidas acabam, sacerdotisa moribunda. Nossa cultura e glória continuam. Esse é o propósito. Ou isso, ou seria melhor todos vocês passarem para junto dela logo.
Segurou a face de Ainion.

- Quer vir comigo?

Ele chorou e disse que sim. O elfo negro se ajoelhou diante dele e o abraçou. Marwen quis matar os dois, porém não podia atacar. Não deu atenção para o elfo negro, mas apenas para a alma de Ainion que era seu único propósito ali.

- Você nunca mais se ajoelhará a não ser para abraçar outro elfo que estará de joelhos para você também. O que tem a fazer agora, é ter o sangue de um dos Venesse... que os fracassados sucumbam – falou ele. Retirou uma adaga de dentro do manto e enfiou-a no coração de Ainion. Levantou-se e se afastou. – Cada um sabe em seu coração o que deve ser feito. Que a agonia escorra com seu sangue.

- Vai me matar também, elfo negro? Quer a batalha derradeira? – gritou Marwen.

Ela se adiantou com a espada na mão. Apontou-a para o elfo negro.

                - Você matou quantos de nós?

                - Vários. O primeiro foi aqui, quando minhas mãos ainda tremiam e eu não era mais do que um agricultor sem terras para arar e que chorava por perder tudo o que tinha. Foi quando minhas cicatrizes ainda ardiam e um pedaço de metal que os goblinóides enfiaram em mim ainda ardia dentro de minha barriga. Eu matei minha senhora ali. Eu a servia carregando suas coisas com essas mãos feitas para arar a terra. Quando ela chorava para a Deusa e percebi que eu precisava mais do abraço daqueles que sofriam comigo dessa divindade – contou o elfo negro, olhando distraído para onde estavam os corpos dos humanos.

                Marwen ouviu um murmúrio repentino. Olhou para trás para ver Ainion diante de Alyef. O guerreiro estava com a faca que deixara fincada anteriormente no chão. Sangue escorria de seu peito quando ele enfiou a lâmina no coração do elfo ajoelhado.

                - Um coração destruído para a salvação de uma fagulha de esperança – disse Ainion.

                Alyef segurou a mão do amigo, sentido o próprio sangue brotar. Viu o ferimento no corpo de Ainion se fechando. Seus cabelos começaram a escurecer, assim como seus olhos. Arrancou a faca e andou até ficar ao lado do elfo negro.

Marwen olhava estarrecida. Correu até Alyef para invocar sua deusa e pedir a cura do colega.

- Não há magia que possa curá-lo. Sugiro que vá embora elfa.

Ela viu que não conseguia fechar a ferida, por mais que rezasse. Ergueu-se furiosa, com a espada nas mãos.

- Não vai querer me matar?

O elfo negro sorriu.

- Não. Se Ainion quiser, ele pode fazê-lo, mas nós só matamos vocês quando precisamos nos aliviar ou quando já estão perdidos. Vá embora elfa, antes que seu amigo desperte...

- O quê?

Ela ouviu os gemidos. Ouviu o vento mórbido que passava pelo corpo de Alyef e sentiu a raiva dele ao ter falhado com Ainion, a raiva por não ter sobrevivido ao tentar provar o erro do amigo. Havia angústia demais embaixo da fé daquele elfo. E todo aquele fracasso havia acabado de tocar sua alma quando seu amigo finalmente se rendeu a escuridão e passou para aquele lado extinguindo a luz no coração de Alyef.

- Banshee... – disse ela chorando.

O elfo negro e Ainion deram-lhe as costas e andaram para as trevas.

- Eu voltarei para caçá-lo, elfo negro.

- Espero que sim, sacerdotisa moribunda.

- Eu sei qual sua tática e como seu ritual funciona.

- Não saberá mais – disse ele, desaparecendo nas trevas. E ela não soube mais assim que deu o primeiro passo rumo a sua vingança.


Autor:Antônio Augusto Fonseca Júnior “Shaftiel”


sábado, 28 de fevereiro de 2015

Trolls!

Em Tormenta RPG temos o Troll do Pântano, Troll das Montanhas e o Troll Xamã, todos com fichas completas, porém no Manual das Raças são citados mais alguns tipos de trolls, que, embora possam ser usados com aquela pequena descrição, achei interessante montar fichas para eles, que parecem muito com a do troll comum, entretanto, possuem algumas diferenças que podem significar combates diferentes, algo que os jogadores não esperavam encontrar.
Espero que gostem!


Ghillanin ND 5

Esse não é um dos mais espertos...


Uma espécie de troll subterrâneo, incapaz de viver na superfície – são mais amplamente utilizados pelos finntroll. Várias hordas dessas criaturas cinzentas atacaram Doherimm, quando ocorreu O Chamado ás Armas. Ao contrário de seus parentes na superfície, esse tipo de troll usa poucos as garras aderindo ao uso de um tacape rudimentar e devido ao seu tamanho preferem tentar atropelar oponentes menores.
Monstro 6, Grande (alto), Caótico e Maligno
Iniciativa +5.
Sentidos:
Percepção +8, visão no escuro.
Classe de Armadura: 21. Pontos de Vida: 72. Resistências: Fort +11, Ref +7, Von +2, cura acelerada 5/ácido ou fogo. Deslocamento: 9m. Ataques Corpo-A-Corpo:  tacape grande +12 (2d8+9, x2) ou garra +12 (1d6+9).
Habilidades: For 23, Des 14, Con 23, Int 6, Sab 9, Car 6.
Atropelar: usando uma ação completa, o Ghillanin pode percorrer até o dobro do seu deslocamento, passando por qualquer personagem pelo menos uma categoria de tamanho menor. Um personagem atropelado sofre 1d6+9 pontos de dano, um teste de Reflexos (CD 19) reduz o dano à metade.

Sensibilidade a Luz do Dia: um Ghillanin sofre 1 ponto de dano por rodada quando tocados pelo sol ou na área de uma magia luz do dia. Nesta condições sua cura acelerada também para de funcionar.

Glacioll ND 6

Acedite, foi fácil achar uma foto de um troll do gelo


Também conhecidos como trolls-do-gelo, são habitantes das Montanhas Uivantes e outros lugares frios. De cor azulada, não apenas são imunes ao frio, como também absorvem sua energia, ficando maiores! Trolls-do-gelo não possuem garras ou mordidas poderosas, porém lutam com armas feitas de gelo eterno, principalmente machados, que aprenderam a minerar e forjar, mesmo que de maneira rudimentar.
Monstro 6, Grande (alto), Caótico e Maligno
Iniciativa +5.
Sentidos:
Percepção +8, visão no escuro.
Classe de Armadura: 19. Pontos de Vida: 72. Resistências: Fort +11, Ref +7, Von +2, cura acelerada 5/ácido ou fogo, imunidade ao frio. Deslocamento: 9m. Ataques Corpo-A-Corpo:  machado de batalha grande de gelo eterno +12 (2d6+9 mais 1d6 de frio, x3).
Habilidades: For 23, Des 14, Con 23, Int 6, Sab 9, Car 6.
Absorção de Frio: um glacioll atingido por uma magia de frio ganha PV ao invés de sofrer dano (podendo exceder seu total). Além disso, para cada 10 PV que ganhar, recebe +1 nas jogadas de ataque e dano. Os bônus nos pontos de vida, e no ataque e dano são cumulativos e somem em uma hora.


Vrakoll ND 7

Sim, essa é a melho imagem que eu encontrei de um troll aquático


Um tipo de troll aquático, encontrado nos oceanos, no Rio dos Deuses ou em qualquer outro lugar com bastante água. Podem respirar debaixo d’água e nadam bem. Levando em conta a dificuldade de atacá-los com fogo ou ácido quando submersos, em seu ambiente são praticamente invencíveis! A tática preferida desse troll é agarrar suas vítimas e arrasta-las para as profundezas.
Monstro 6, Grande (alto), Caótico e Maligno
Iniciativa +5.
Sentidos:
Percepção +8, visão no escuro.
Classe de Armadura: 19. Pontos de Vida: 72. Resistências: Fort +11, Ref +7, Von +2, cura acelerada 5/ácido ou fogo. Deslocamento: 9m/natação 9m. Ataques Corpo-A-Corpo: garra +12 (1d6+9) ou 2 garras +10 (1d6+9) e mordida +10 (1d6+9).
Habilidades: For 23, Des 14, Con 23, Int 6, Sab 9, Car 6.
Agarrar Aprimorado: Se o Vrakoll acertar um ataque com sua garra, poderá fazer a manobra agarrar como uma ação livre. (agarrar +12).
Submerso: Quando submerso o Vrakoll recebe um bônus de +4 em Furtividade, além de ser tornar imune a dano por fogo e ácido. Vrakoll pode submergir com uma ação de movimento.

Medo da Terra: O Vrakoll sofre uma penalidade de -1 nos ataques e na CA quando está em terra firme.

Imagens meramente ilustrativas
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terça-feira, 13 de janeiro de 2015

Espada Koa


Espada koa khubariana
Espada Koa: Produzida por khubarianos e outros povos iléus, esta arma exótica é um bastão de madeira bem trabalhada, com uma fileira de dentes de tubarão presas por toda sua extensão. Embora possa cortar menos que uma espada de aço, as espadas koas são melhores em dilacerar vítimas, causando grandes estragos.
Ao atingir um inimigo com esta espada, existe 50% de chance do ataque causar sangramento (Tormentão, pg.229), caso a vítima seja imune a sangramentos, ainda existe 50% de chance dela receber +1d4 de dano extra pelo poder dilacerador do ataque.
Uma vítima sangrando pode ter a hemorragia estancada com um teste de Cura (CD 10+dano causado pelo ataque).
Espada Koa: Arma exótica corpo-a-corpo de uma mão (tamanho médio) obra-prima; custo: 310 TO; Dano 1d6 (Corte) /Especial; Decisivo: 19-20/x2; Peso:1,5kg.

segunda-feira, 22 de dezembro de 2014

Ammo - munição para pistoleiros

Manual do Chumbo Grosso: Tudo sobre Munições – TRPG


"Legolas, diga-me o que seus olhos élficos veem."
"Veem munições que desejo; empresta-me uns tíbares Aragorn."

      Bem vindos de volta, amiguinhos! Uma coisa que me incomodava já há muito tempo, desde que eu comecei a jogar RPG (o que na verdade não faz tanto tempo, são só 2 anos e meio nesta estrada) é que nenhum sistema que eu tenha batido os olhos dava um tratamento muito diferenciado para munições.       Em certos jogos, uma das grandes vantagens dos arqueiros é justamente poder ter uma grande variedade de ataques elementais apenas mudando suas flechas (de fogo, de gelo, elétricas, etc). Isto é bastante divertido, porque você pode explorar as fraquezas de seus inimigos, o que aumenta o fator estratégia do jogo em um processo mais ou menos parecido com o do mago escolhendo suas magias preparadas.
      Pensando nisto, resolvi fazer uma busca pela web. Alguém já deveria ter feito uma lista legal, pensava eu... Infelizmente, me decepcionei! Há coisas aqui e acolá bastante válidas, mas nada como eu realmente esperava. Por Isto, resolvi por logo as mãos na massa e bolar eu mesmo alguma coisa. Além disto, aproveitei também para fazer uma coletânea do que havia de interessante para estes personagens no próprio sistema TRPG.       O resultado final, você confere abaixo. Bora ler! :D

AVISO: KUNAIS MERAMENTE ILUSTRATIVAS.


Munições Especiais
      Abaixo você encontra várias munições especiais específicas. Elas são itens individuais, não aprimoramentos, que você verá mais adiante. As letras F, V, B e M identificam quais tipos de munição existem naquela versão especial (F para flechas, V para virotes, B para balas de funda e M para munição de armas de fogo). Note também que algumas munições dizem que são impróprias para causar dano, e causam apenas os efeitos descritos nelas. Por fim, observe que todos os preços listados são unitários (para 1 munição).       

Acrobática (FVB): devido à sua forma construtiva, esta munição oscila no ar confundindo o alvo. Você ignora 2 pontos da CA do alvo, porém seu incremento de distância é reduzido à metade. (5 TO)       

Alquímica (FVB): compostos alquímicos em um recipiente na ponta desta munição entram em contato quando o recipiente se quebra com o impacto, entrando em combustão e causando 1d6 de dano extra por fogo e incendiando o alvo (o que causa mais 1d6 de dano). (20 TO)     

  Arpoadora(FV): esta munição contém um ponta especial que fica presa ao alvo e suporta até 100kg de peso. Deve ser usada em conjunto com uma corda de escalada especial (10 TO, 0.5 kg) para que o disparo seja viável. Pode ser removida com uma ação completa que causa 1d6 pontos de dano ao alvo e inutiliza a munição. (20 TO)       

Benta (FVBM): carregada com as bençãos dos deuses, esta munição causa 1d6 de dano extra em mortos-vivos e espíritos malígnos e ignora redução de dano /bondosa. (FVB: 25 TO, M: 30 TO)       

Certeira (M): esta munição de grande precisão reduz penalidades por incremento de distância e vento em 2 pontos. (10 TO)       

Da Explosão de Luz (FVB): com uma ponta feita de material alquímico, esta munição produz um grande clarão com o impacto, fazendo com que qualquer criatura com os olhos descobertos a até 3m do alvo tenha que fazer um teste de Reflexo CD 15 para não ficar cega por 1d3 rodadas. No entanto, ela é imprópria para causar dano. (40 TO)      

 De Alerta Sonoro (FV): esta munição possui um aparato preso à sua sua ponta que emite um ruído agudo durante sua trajetória e que pode ser ouvido à até 150 metros. No entanto, ela é imprópria para causar dano. (5 TO)       

De Alerta Visual (FV): esta munição deixa um discreto rastro de fumaça alquímica que pode ser visualmente identificado a até 150 metros por até 1 minuto se o vento estiver fraco, por 4 rodadas se estiver forte, ou por 1 em caso de vendaval. No entanto, ela é imprópria para causar dano. (20 TO)       

De Borracha (BM): esta munição é feita de um material elástico e quebradiço que causa apenas dano não-letal. (B: 2 TO, M: 10 TO)      

 De Vidro (FV): esta munição de material frágil estilhaça ao penetrar no alvo, causando sangramento. Mesmo se for estabilizado, o sangramento recomeça se o alvo fizer mais de 1 ação por rodada. Um teste de Cura CD 25 que leva 10 minutos remove os estilhaços. No entanto, seu material pesado impõem uma penalidade de -2 de ataque. (30 TO)      

 Explosiva (BM): esta munição especial explode com o impacto, causando 2d4 pontos de dano extra. (B: 20 TO, M: 25 TO)   

    Incendiária (FV): esta munição possui um arranjo de resina e trapos preso à sua ponta, e pode ser acendida com uma ação de movimento e uma fonte de chama. Causa 1d6 de dano extra por fogo e o alvo deve fazer um teste de Reflexos CD 15 para não pegar fogo. (5 TO)     

Sem Ponta (FV): esta munição de ponta de madeira arredondada causa dano de esmagamento, ao invés de perfuração, e pode causar dano não-letal com um penalidade de -4 de ataque. (2 TO)       

Sinalizadora (FV): esta munição deixa um rastro de fumaça alquímica que pode ser visualmente identificado a até 5 quilômetros por até 10 minutos se o vento estiver fraco, por 1 minuto se estiver forte, por 4 rodadas em caso de vendaval ou 1 de furacão. Requer acendimento e durante a subida produz um rastro de luz visível por 10 segundos à noite, à mesma distância. No entanto, ela é imprópria para causar dano. (40 TO)      

 Tracejante (FVM): a forma construtiva desta munição faz com que ela gire durante o voo, dando-lhe maior poder de perfuração e ignorando 5 pontos de redução de dano. (FV: 25 TO, M: 30 TO) 
      
Tracejante Especial (M): a forma construtiva excelente desta munição faz com que ela gire extremamente rápido durante o voo, dando-lhe poder de perfuração extremamente elevado e ignorando 10 pontos de redução de dano. (150 TO)       

Trovão Gury (FVB): esta munição alquímica especial estoura com o impacto, provocando um som extremamente elevado que força qualquer criatura a até 3m do alvo a fazer um teste de Fortitude CD 15. Em caso de falha, a criatura fica surda por 1 minuto. No entanto, ela é imprópria para causar dano. (40 TO)       Voadora (FVBM): esta munição de aerodinâmica privilegiada e altamente equilibrada vence a resistência do ar muito melhor que qualquer outra, aumentado seu incremento de distância em 9m. (FVB: 5 TO, M: 10 TO)     

  Mais de Mil Sugestões: como dito, as munições tem preços unitários. Mas como exatamente você mestre vai disponibilizá-las, é realmente uma decisão sua. Você pode colocá-las todas à venda em quantidades abundantes, em lojas de grandes cidades. Ou pode escolher quais e quantas haverá em estoque, no caso de cidades menores ou vendedores ambulantes. Também pode determinar que certa loja ou ambulante só vende certas munições em quantidades mínimas (ex: flechas voadoras mínimo 10 unidades, alerta sonoro mínimo 5). Tudo isto é com você; faça como achar mais legal.

"Comam chumbo, criaturas. Tenho balas de goma que estouram na boca para todos!"

Materiais Especiais
      Normalmente, munições são fabricadas nas mesmas quantidades listadas para venda no capítulo Equipamentos do módulo básico de Tormenta RPG. Você paga + de 9.000 moeditas de ouro e recebe 50 flechas de mitral magistrais +2 para usar com seu arqueirinho boladão. A grande pergunta que não quer calar é: Por que?!?    Nada, eu disse, nada impede alguém de comprar apenas 1 destas flechas se o vendedor quiser vender. Você imagina que se ele só tivesse meia dúzia com ele, iria guardar para juntar 50 e vender tudo de uma vez? E o que você acha que venderia mais, 60 flechas de adamante anti-criatura (monstros) ou um jogo com 60 flechas de adamante anti-criatura contendo 10 para cada um dos seis tipos de criatura existentes? A resposta é óbvia: o segundo pacote é muito mais útil e venderia mais.       Por isto, para facilitar o entendimento e aquisição de munições interessantes, abaixo você encontra listados os preços unitários de munições feitas de materiais especiais, seguidas de seus efeitos. Qualquer munição pode ser de material especial, exceto casos óbvios (uma munição explosiva não pode ser indestrutível, ou não explodirá, e uma flecha de vidro não pode ser de adamante, dããã não é?)       

Aço-Negro: indestrutível, depois de resfriado. (200 TO)  
Aço-Rubi: ignora qualquer tipo de redução de dano. (20 TO)       
Adamante: o dano da flecha aumenta em uma categoria. (30 TO)       Gelo Eterno: causa +1 ponto de dano por frio.* (20 TO)      
 Madeira de Tollon: conta como mágica para vencer redução de dano. (2 TO) 
Matéria Vermelha: causa 1d4 pontos de dano extra*, exceto contra Lefeus. (20 TO)       
Mitral: sua margem de ameaça aumenta em 1. (20 TO)       

*Mais de Mil Sugestões: sugiro aumentar o dano de Gelo Eterno para 1d6 e de Matéria Vermelha para 2d4, tanto para munições quanto para outras armas. Estes materiais não compensam seu custo nem mesmo se você não utilizar os outros itens desta matéria, ou mesmo se utilizados em armas como espadas e etc. Sério, é fraco demais pro preço que tem.
"Se a vitória não for possível, lutarás eternamente!"

Novo Material: Aço Negro
      Itens feitos de aço negro são indestrutíveis depois que o metal resfria, e não derretem mais. Armas, escudos pesados e armaduras leves de Aço Negro custam +10.000 TO, armaduras médias +20.000 TO e pesadas +50.000 TO. Além de indestrutíveis, escudos pesados e armaduras leves fornecem redução de dano 5, médias 10 e pesadas 20.       Aço negro é fabricado por seres e com materiais não nativos de Arton. A única forma conhecida de chegar até seu local de origem é durante as viagens planares da cidade voadora de Vectora, em um período que dura apenas uma semana e ocorre somente uma vez por ano. Dizem que tudo por lá é feito de metal, inclusive suas criaturas, e que tal lugar teria sido criado por um golem de prata que controla poderes mágicos inacreditáveis.       Algumas vezes, é possível encontrar itens de aço negro à venda em Vectora, mas mesmo lá isto é raro. O principal motivo para o alto preço dos itens feitos deste metal é a dificuldade de obtê-lo. O comerciantes contam que se você se aventurar pelo plano de origem do aço negro, pode economizar até 80% do preço. Mas viajar pelo plano metálico desconhecido e lidar com seus fabricantes seria extremamente desafiador, algo que somente os maiores heróis (ou vilões) de Arton seriam capazes de fazer.       Mais de Mil Dicas: em TRPG, itens mágicos não são indestrutíveis. Somente Artefatos são. Por isto, este material pode ser uma excelente adição para suas armas, apesar de seu preço caro que é o diabo tão alto. Adicionalmente, se você for rolar uma campanha no plano de metal para obter aço negro, é por sua conta proporcionar o desafio e criar o ambiente alienígena adequado. Se você não conhece o cenário referido nesta seção, talvez seja melhor mesmo desconsiderar a opção.
"Saiam devagar ou terão muito com o que esquentar, se é que me entendem."

Aprimoramentos
      Tudo que foi anteriormente dito sobre materiais especiais também pode ser dito sobre aprimoramentos. Então, para facilitar ainda mais o entendimento e aquisição de munições interessantes, abaixo você encontra listados os preços unitários de munições aprimoradas e seus efeitos. Algumas delas, como você irá notar ao ler suas descrições, não tem qualquer efeito se você possuir só 1. Os motivos são bastante óbvios, mas ainda assim estes aprimoramentos foram listados aqui para evitar dúvidas.    


Obra-Prima: +1 de ataque. (6 TO)     

Brutal: +1 de dano. (12 TO)      

Equilibrada: +2 em manobras. (12 TO)       

Magistral: +2 de ataque. (18 TO)       

Precisa: margem de ameça +1. Uma arma não pode ser precisa e maciça. (30 TO)  

Maciça: multiplicador de crítico +1. Uma arma não pode ser maciça e precisa, mas se a munição for maciça e a arma precisa (ou vice versa), não há problema. (60 TO)  

Banhado a Ouro: não aplicável; o bônus só é obtido com 50 munições, que custam o mesmo preço de uma arma qualquer com este aprimoramento.       

Cravejado de Joias: não aplicável; o bônus só é obtido com 50 munições, que custam o mesmo preço de uma arma qualquer com este aprimoramento.       

Macabro: não aplicável; o bônus só é obtido com 50 munições, que custam o mesmo preço de uma arma qualquer com este aprimoramento.       

Revestir com Prata: ignora redução de dano /prata. (6 TO)       

Mágico +1: (40 TO)       Mágico +2: (160 TO)       Mágico +3: (360 TO)       Mágico +4: (640 TO)       Mágico +5: (1.000 TO)       Mágico +6: (1440 TO)       Mágico +7: (1.960 TO)       Mágico +8: (2.560 TO)       Mágico +9: (3.240 TO)       Mágico +10: (4.000 TO)       
Mais de Mil Clarificações: Não esqueça que para uma munição ser mágica, ela tem que ser ao menos Obra-Prima. E que para possuir um poder mágico especial ela não precisa ser +1 em TRPG. (deuses sejam louvados, isso era um saco!!!) Você pode ter uma arma obra-prima flamejante normalmente. (Amém!)       Note também que se você tiver um arco mágico +10 com poderes diferentes de uma munição +10 que possua, não terá problemas com as regras que impedem o acúmulo de itens mágicos. Custa um absurdo por disparo (4.000 TO, deus me livre), mas você pode ter ataques com bônus somados de +20!!! Uma munição assim seria algo legal para o mestre dar de prêmio, em ocasiões especiais.

Um bom arco e boa munição podem ser aliados fiéis.

Itens Mágicos
      Abaixo, você encontra algumas munições mágicas especiais. Algumas delas são completamente novas e, apesar do alto custo, talvez você acabe se interessando bastante por algumas delas. Vamos dar uma conferida?       

Flecha Assassina: uma flecha assassina é ligada a um tipo de criatura (animal, construto, espírito, humanoide, monstro ou morto-vivo). Uma criatura deste tipo atingida deve fazer um teste Fortitude CD 20. Em caso de falha, é destruída. (2.282 TO)       

Munição do Vácuo.: Esta munição +1 ignora o incremento de distância máximo da arma, além de suas penalidades, e só para se atingir algo. Você deve contar com métodos especiais para visualizar e mirar, como uma mini-luneta acoplada à arma (500 TO, 0.5 kg), ou o ataque falha automaticamente se o alvo estiver a mais de 8 vezes o incremento da arma. (646 TO)       

Flecha do Sono: esta flecha +1 causa dano não-letal e uma criatura atingida por ela deve fazer um teste de Vontade CD 11. Em caso de falha, adormece por 1 hora. (132 TO)       Flecha do Sono 

Encantado: esta flecha +2 causa dano não-letal e uma criatura atingida por ela deve fazer um teste de Vontade CD 17. Em caso de falha, adormece eternamente. Ela não precisa se alimentar enquanto estiver sob este efeito. (1.966 TO) TO)       

Flecha Trespassante Mística: esta flecha +1 afiada de aço-negro usa o efeito de Trespassar Aprimorado em todas as criaturas em sua trajetória. (14.006 TO)       

Virote Gritante: este virote +2 faz com que todos os alvos a até 6m de seu trajeto devam fazer um teste de Vontade CD 14. Em caso de falha, ficam abalados por 1 minuto. (267 TO)       

Virote Teleguiado: este virote +1 caçador ignora a capacidade do alvo de evitar seu ataque. O alvo não recebe bônus na CA por nada que o faça evitar o ataque (ex: Destreza, Autoconfiança, Sexto Sentido, etc.), somente por proteções que barrem a trajetória do ataque (ex: armaduras, escudos, armadura natural, etc) (366 TO).        

Mais de Mil Dicas: se você possuir magias de adivinhação, como Dedo-Duro, pode ficar bastante fácil encontrar uma Flecha Trespassante Mística disparada e que errou os alvos, perdendo-se sabe deus onde. Ela é indestrutível, então em algum lugar vai estar e você sempre pode voltar para buscá-la.

"Aí ele disparou a flecha assassina, e foi assim que eu fui pro céu de couro quente."

Venenos
      Outra coisa que pode dar um gás para seu atirador é utilizar venenos. Pela natureza de seu ataque, apenas venenos que agem através de contato ou ferimento são utilizáveis. Mas isto, felizmente, representa mais da metade dos venenos existentes em TRPG. Para facilitar sua vida, eles estão listados ao fim desta seção. Entre eles você pode encontrar 3 novos venenos, obtidos de animais da natureza. Logo abaixo, você pode ler um resumo das regras para os tipos de venenos apresentados nesta matéria. Para regras completas, consulte o módulo básico de Tormenta RPG.      
 Um personagem exposto a um veneno deve ser bem-sucedido em um teste de Fortitude ou sofre seu efeito. Alguns venenos possuem efeito parcial entre parênteses, e o alvo sofre aquele efeito mesmo em caso de sucesso. Por fim, certos venenos fazem efeito mais de uma vez, não importando se o alvo foi bem sucedido no teste anterior ou não.       
Venenos utilizáveis em munições são de dois tipos, de acordo com o método de inoculação. Venenos do tipo contato são inoculados através de um ataque bem-sucedido de toque ou normal com a arma (mesmo que não cause dano), ou se a vítima toca um objeto envenenado. Venenos do tipo ferimento são inoculados através de um ataque bem-sucedido com arma, que cause pelo menos 1 ponto de dano.
 

Opcional: Perdendo Munições
      É notável e um tanto surpreendente que Tormenta RPG não tem regras para perda ou extravio de munições, provavelmente por questões de simplicidade. É fato que muitas vezes o personagem sequer tem tempo de procurar alguma coisa após a batalha. Noutras, não se interessa em fazê-lo porque sua munição é barata ou suficiente para a aventura toda. Para muitos jogadores, a inexistência da regra tanto faz. 
 Em todo caso, é interessante rolar uma chance de perda ou destruição de 50% para munições especiais. Especialmente para valorizar o uso do material Aço Negro em flechas mágicas caras. Elas ainda poderiam ser perdidas (25%, só em ambientes abertos e só as que errararem o alvo), mas com métodos adequados podem ser recuperadas sempre (ex: magias de adivinhação como Dedo-Duro). Se ninguém achar antes, claro. 

Um sinal. Uma saraivada. Uma vitória.
Justiça sendo feita. Não é necessário glória.
Centenas viverão em paz. Já foi punida a escória.


Finalizando
      Bem, espero que vocês tenham gostado das novas opções e listas deas antigas. Na verdade, ainda há outros itens, acessórios e opoções úteis para atiradores. Mas preferi não listar tudo que existe porque iria ficar muito extenso. Um ponto que eu intencionalmente deixei de forma foram regras para fabricação de munições. Estas regras são extensas e complexas, e fogem do objetivo desta matéria, que não é criação de itens. Qualquer coisa, é só chegar as descrições da perícia Ofícios e dos talentos Criar Obra-Prima e Criar Armas e Armaduras Mágicas.       
Quanto a como e o que usar de tudo que você encontra nesta matéria, eu recomendo que você escolha conforme for melhor para sua campanha. Eu mesmo não gosto de oferecer tudo para os jogadores durante a criação das fichas, fica até ruim de conferi-las depois. Uma coisa legal seria colocar vendedores especializados em munições em cidades que os jogadores visitam, e deixá-los fazer suas compras ali. Ganhar acesso a novos itens com o passar do tempo pode ser bastante motivador.       Bom, qualquer dúvida é só deixar um comentário. Até a próxima. ;-)

"Um momento querido, preciso falar com os arqueiros lá atrás. Aguarde sua vez."
http://maisdemildados.blogspot.com.br/2014/12/manual-do-chumbo-grosso-tudo-sobre.html